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ALE para iniciantes: como identificar chamadas HF, usar o arquivo UDXF e logar redes governamentais, militares e de emergência

ALE para iniciantes: como identificar chamadas HF, usar o arquivo UDXF e logar redes governamentais, militares e de emergência

Guia prático para DXers: por que ALE é um hobby diferente, como rastrear callsigns nos arquivos do UDXF e onde estão as redes mais ativas pelo mundo

ALE (Automatic Link Establishment) mudou a rotina do DXing em HF: não há som a ser ouvido, mas há muitos quebra‑cabeças para resolver. Em vez da audição tradicional, o exercício é pesquisar e correlacionar identificadores, frequências e padrões para descobrir quem está transmitindo e de onde. Este guia reúne práticas, ferramentas e listas regionais para ajudar iniciantes a começar e melhorar seus registros.

Como identificar chamadas e por que nem tudo é óbvio

Uma das vantagens do ALE é que as estações normalmente se identificam. No entanto, identificar a organização ou o local por trás de uma callsign nem sempre é simples. Conforme a experiência de DXers, aproximadamente um terço das callsigns permanece um mistério absoluto; outro terço permite saber a organização ou o país, mas não o transmissor exato; e apenas cerca de um terço pode ser geolocalizado com precisão.

Algumas callsigns são descritivas — por exemplo, nomes de cidades — mas muitos identificadores são códigos numéricos ou alfanuméricos usados por governos, forças armadas, polícia, agências de emergência e empresas estatais. Redes governamentais tendem a ser discretas sobre localizações, mas a comunidade utility DX coletou e compilou dados que ajudam a relacionar IDs com locais e redes.

Como usar o UDXF e ferramentas de busca para resolver logs

A melhor fonte pública de informações sobre ALE é o Utility DXers Forum (UDXF). A comunidade mantém um repositório de logs e compilados históricos acessíveis via Groups.io — arquivos que vão desde os primeiros anos até relatórios mensais recentes.

Passo a passo prático:

  • Associe‑se ao UDXF (Groups.io) e baixe os arquivos de logs da seção Files; junte as compilações em uma pasta local.
  • Use um editor de texto que pesquise dentro de arquivos (por exemplo, Notepad++ no Windows) e utilize a função “Find in Files” para localizar IDs ou frequências.
  • Ao procurar um ID numérico, inclua um caractere distintivo (como dois‑pontos) se os logs seguirem esse padrão — por exemplo, “355013:” — para reduzir falsos positivos.
  • Se você encontrar o ID em outros logs e em frequências específicas, isso ajuda a validar a associação a uma rede ou local. Se o ID não aparecer, pesquise a frequência (por exemplo, 08092) para ver quais redes usam aquele canal.

Exemplo: um log com ID 355013 em 8092 kHz pode ser ligado a uma estação civil turca pela presença frequente do mesmo ID em relatos sobre a rede AFAD. Se o ID aparecer em várias frequências conhecidas de uma mesma organização, aumenta a confiança na identificação.

Se a pesquisa não resolver, há duas opções: deletar o log ou colocá‑lo numa lista “verificar depois”. Muitos DXers guardam entradas a serem revisadas anualmente; redes novas e alterações fazem com que identificações antigas sejam esclarecidas com o tempo.

Principais usuários por região

Embora esta lista não seja exaustiva, mostra onde você terá maior chance de logar ALE e quais são as redes mais ativas hoje.

  • América do Norte: os Estados Unidos são, de longe, os maiores usuários. Frequências comuns incluem 7527, 8912, 10242, 11494, 12222 e 15867 kHz. Agências como US Coast Guard, FBI, DEA, Customs and Border Protection e redes como COTHEN (Cellular Over‑The‑Horizon Enforcement Network) utilizam ALE. FEMA opera estações nas suas dez regiões (ex.: FC4FEM1) e estados ou guardas nacionais (Wyoming, Utah) também aparecem com regularidade.
  • América do Sul: militares do Brasil, Colômbia e Venezuela operam redes ALE; polícia do Chile e Colômbia usam calls com indicação de local. A rede policial colombiana é relativamente recente e mostra expansão do uso de ALE.
  • África: Argélia é um usuário pesado — Força Aérea, Exército e empresa estatal Sonatrach têm redes extensas. Outras nações ativas incluem Marrocos, Mauritânia e Tunísia; missões de paz da ONU também aparecem em países como Mali, República Centro‑Africana e Sudão do Sul.
  • Europa e Oriente Médio: XSS (Forest Moor, Inglaterra) é uma callsign que aparece abundantemente; Turquia (AFAD) tem provavelmente uma das maiores redes locais da região. Redes militares e de controle de fronteiras em vários países europeus e a italiana Guardia di Finanza também utilizam ALE.
  • Ásia e Pacífico: a atividade regional é menos intensa além das estações dos EUA, mas a polícia estadual australiana tem rede conhecida e frequência favorita em torno de 10505 kHz.

Dicas práticas para logar, organizar e progredir

  • Mantenha uma pasta única com todos os logs do UDXF e atualize‑a mensalmente; os compilados do início de cada mês reúnem os logs do mês anterior.
  • Padronize suas buscas: procure primeiro por ID com o formato usado nos logs (ex.: número seguido de dois‑pontos), depois procure a frequência como um número de cinco dígitos (ex.: 08092) para ver quem mais a utiliza.
  • Registre tudo: mesmo logs que você não consegue identificar hoje podem ser resolvidos depois. Uma lista “verificar depois” é muito útil.
  • Esteja atento a padrões de callsigns: números fixos, prefixos regionais ou nomes de cidade ajudam a agrupar estações da mesma rede.
  • Participe da comunidade UDXF para trocar observações e referências; memórias coletivas e insiders ajudam a construir mapeamentos que não estão em fontes públicas.

ALE é um campo de DX que cresce, com redes novas aparecendo (ex.: polícia colombiana) e uso contínuo por governos, militares, agências de emergência e empresas estatais. Para o DXer curioso, isso significa muitos alvos interessantes e um hobby que combina recepção técnica com pesquisa e investigação.

Se você quer começar: baixe os arquivos do UDXF, configure um decoder ALE e pratique buscas por IDs e frequências. O mais recompensador do ALE é a satisfação de transformar um código em uma localização e entender quem está do outro lado do espectro.

Carlos PY2CER

Carlos Rincon, conhecido como PY2CER, é um entusiasta do radioamadorismo com uma trajetória marcada pela curiosidade e dedicação. Desde criança, já demonstrava interesse pelas comunicações desmontando brinquedos para construir seus próprios rádios. Hoje, é uma figura respeitada na comunidade, unindo conhecimento técnico com a paixão por conectar pessoas ao redor do mundo. Além de operador experiente, Carlos é o fundador do AntenaAtiva.com.br, um portal voltado à divulgação e ensino do radioamadorismo no Brasil. O site oferece conteúdo acessível e educativo para iniciantes e avançados, com foco em antenas, comunicação via satélites, concursos de rádio e atividades escolares. Com iniciativas que envolvem escolas técnicas, projetos com satélites meteorológicos e ampla atuação na comunidade, Carlos Rincon e o Antena Ativa se consolidaram como referências nacionais no universo do radioamadorismo, combinando tecnologia, educação e espírito comunitário.

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