Autor: Franta OK2FJ (Highlander Brno)
Tradução e Adaptação Carlos Rincon PY2CER
A Antena Colinear é um dos projetos mais interessantes do Radioamadorismo moderno, combinando simplicidade de construção com excelente ganho de sinal. Muitos operadores iniciantes acreditam que uma antena com alto desempenho exige equipamentos caros e medições complexas, mas a verdade é que uma colinear bem montada pode superar diversas antenas comerciais, mantendo baixo custo e fácil montagem.
Entre os radioamadores, as versões conhecidas como “bastões brancos” (White Sticks) ganharam fama por oferecer um ganho surpreendente em comparação às verticais convencionais. Entretanto, replicar uma colinear de fábrica, especialmente aquelas com bobinas de defasagem interna, é praticamente inviável sem instrumentos de medição especializados. Por isso, este guia apresenta um método simplificado, prático e funcional, ideal tanto para iniciantes quanto para operadores avançados que desejam entender a teoria e a prática por trás dessa configuração.
A Antena Colinear vertical é formada por vários elementos irradiantes dispostos em linha (colinearmente), o que aumenta o ganho sem modificar o padrão omnidirecional.
Em vez de um único elemento vertical, temos múltiplos segmentos de meia onda, conectados de modo a manter o sinal em fase, ampliando a intensidade de irradiação horizontal e reduzindo a perda de energia para o zênite.
O resultado é uma antena altamente eficiente, com maior alcance e melhor cobertura, especialmente em comunicações locais e regionais nas bandas de VHF e UHF. No Radioamadorismo, isso é especialmente útil em repetidoras e estações base, onde a cobertura uniforme é essencial.
O princípio básico da Antena Colinear consiste em segmentos coaxiais de meia onda que compõem o irradiador principal.
A parte superior do conjunto termina em um segmento de um quarto de onda, conectado a um fio adicional de um quarto de onda que atua como extensão final do elemento ativo.
Na parte inferior, há outro segmento de um quarto de onda ligado a radiais inclinadas 45° para baixo, cada uma com o mesmo comprimento de um quarto de onda.
Essas radiais são conectadas à malha do último trecho coaxial, servindo como plano de terra e estabilizando o sistema.
É fundamental multiplicar as dimensões de todos os segmentos pelo fator de velocidade (k) do cabo utilizado — geralmente entre 0,66 (para RG-58 e RG-213) e 0,82 (para H-155 e H-1000).
Essa configuração cria um sistema de múltiplas meias-ondas defasadas corretamente, o que eleva o ganho sem alterar a omnidirecionalidade, um ponto essencial para operações de rádio em redes locais.
O ganho da Antena Colinear depende diretamente do número de segmentos de meia onda utilizados.
Cada adição de segmento aumenta o ganho e estreita o lóbulo de irradiação, otimizando o sinal na horizontal.
Esse comportamento torna a Antena Colinear uma excelente alternativa para quem busca maior eficiência em comunicações locais, especialmente nas faixas de 2 metros (VHF) e 70 centímetros (UHF), sem perder simplicidade de instalação.
Durante a construção, é crucial evitar curtos acidentais entre as blindagens dos segmentos coaxiais.
Um único fio solto da malha pode comprometer toda a sintonia da antena.
As conexões devem seguir o princípio básico:
Esse arranjo é o que permite que os segmentos irradiem em fase, formando o padrão colinear desejado.
Na prática, trata-se de um alinhamento elétrico e físico que mantém a coerência de fase entre os módulos irradiantes.
Para o radioamador, saber calcular corretamente os comprimentos dos segmentos é essencial.
Os cálculos se baseiam na frequência de operação (MHz) e no fator de velocidade (k) do cabo.
Abaixo, estão as fórmulas práticas utilizadas:
Comprimento (m)=75Frequeˆncia (MHz)×k\text{Comprimento (m)} = \frac{75}{\text{Frequência (MHz)}} \times kComprimento (m)=Frequeˆncia (MHz)75×k
Comprimento (m)=150Frequeˆncia (MHz)×k\text{Comprimento (m)} = \frac{150}{\text{Frequência (MHz)}} \times kComprimento (m)=Frequeˆncia (MHz)150×k
Essas fórmulas fornecem medidas precisas para cortes de cabo coaxial, garantindo a correta defasagem entre os elementos.
| Banda | Cabo | Fator k | λ/4 (m) | λ/2 (m) |
|---|---|---|---|---|
| PMR (446,04 MHz) | RG-58 / RG-213 | 0,66 | 0,111 | 0,222 |
| 70 cm (435 MHz) | RG-58 / RG-213 | 0,66 | 0,114 | 0,227 |
| 2 m (145 MHz) | RG-58 / RG-213 | 0,66 | 0,341 | 0,682 |
| PMR (446,04 MHz) | H-155 / H-1000 | 0,82 | 0,137 | 0,275 |
| 70 cm (435 MHz) | H-155 / H-1000 | 0,82 | 0,141 | 0,283 |
| 2 m (145 MHz) | H-155 / H-1000 | 0,82 | 0,424 | 0,848 |
Esses valores permitem que o construtor ajuste a antena exatamente à frequência desejada.
Pequenas variações de comprimento podem ser compensadas posteriormente com ajustes finos no conector ou nas radiais inferiores.
Para proteger a antena e garantir durabilidade, recomenda-se instalar a estrutura dentro de um tubo plástico (PVC) ou de fibra de vidro.
Uma alternativa econômica é utilizar varas telescópicas de pesca em fibra de vidro, facilmente encontradas em feiras e lojas populares.
Nunca utilize varas de carbono, pois o carbono é condutor e prejudicará a irradiação do sinal.
As junções entre os segmentos devem ser vedadas contra umidade, preferencialmente com cola termoplástica aplicada com pistola térmica.
Essa proteção evita a oxidação e mantém a integridade elétrica da Antena Colinear, mesmo em ambientes externos sujeitos a variações climáticas.
A Antena Colinear continua sendo uma das preferidas no Radioamadorismo pela combinação de simplicidade, eficiência e baixo custo.
Ela oferece uma excelente relação entre ganho e facilidade de construção, podendo ser adaptada para diferentes faixas e potências.
Em tempos de comunicação digital e modos modernos como DMR, C4FM e D-STAR, a Antena Colinear ainda se mostra extremamente útil, pois proporciona estabilidade de sinal e baixa perda de energia.
Muitos radioamadores utilizam esse tipo de antena para estações base VHF/UHF, repetidoras comunitárias, e até para projetos experimentais com SDR e APRS.
Apesar de sua simplicidade, uma Antena Colinear caseira bem projetada pode atingir o mesmo desempenho de modelos comerciais de marcas renomadas.
O segredo está na precisão dos cortes, no fator de velocidade do cabo e na qualidade das conexões.
Modelos comerciais, como a Diamond X-200 ou a Comet GP-9, utilizam bobinas de defasagem internas para alinhar os elementos.
Porém, a versão coaxial descrita aqui dispensa essas bobinas, utilizando o próprio cabo como meio de defasagem natural — uma solução engenhosa e acessível para o radioamador que gosta de construir seus próprios equipamentos.
Entre as principais vantagens da Antena Colinear no Radioamadorismo, destacam-se:
Além disso, ela pode ser instalada tanto em estações fixas quanto em torres de repetidoras, mantendo desempenho estável mesmo sob condições climáticas adversas.
Construir uma Antena Colinear é mais do que um exercício técnico — é uma experiência que conecta o operador ao verdadeiro espírito do Radioamadorismo: aprender, experimentar e compartilhar conhecimento.
Com recursos simples, é possível criar uma antena de alto desempenho, entender os fundamentos de propagação e aprimorar suas habilidades práticas em eletrônica e RF.
Dominar os princípios dessa antena é um passo importante para qualquer operador que deseja melhorar seu alcance, otimizar transmissões e explorar as bandas VHF e UHF com máxima eficiência.
A Antena Colinear representa o equilíbrio perfeito entre teoria e prática, eficiência e simplicidade, tornando-se um dos projetos mais gratificantes do universo radioamador.
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