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Antena Dipolo Vertical VHF/UHF de Banda Dupla: Conceito, Construção e Ajustes

Introdução

Construir a própria antena é uma das partes mais gratificantes do radioamadorismo. Além de reduzir custos, esse processo permite entender melhor como a antena funciona e como ela se comporta no ambiente onde será instalada. Neste artigo, vamos abordar a construção de uma antena dipolo vertical VHF/UHF de banda dupla, cobrindo as faixas de 2 metros e 70 centímetros, com a possibilidade de ajuste fino da ROE (SWR). Trata-se de uma solução versátil, adequada tanto para comunicações em simplex quanto para acesso a repetidoras, e que pode ser montada com materiais simples e facilmente encontrados.

A proposta é incentivar a criatividade: não é necessário seguir um “kit padrão”. Caso você não disponha exatamente dos mesmos materiais, é perfeitamente possível adaptar o projeto utilizando uma calculadora de dipolo para recalcular as dimensões corretas dos elementos de acordo com o diâmetro do condutor escolhido. Inclusive, o projeto pode ser simplificado ainda mais, dispensando mecanismos de ajuste, se essa for a sua preferência.

Polarização e Padrão de Radiação

Um ponto que costuma gerar dúvidas é a polarização da antena dipolo. Diferentemente do que muitos pensam, ela não é exclusivamente direcional ou omnidirecional — tudo depende da forma como é instalada. Quando montada na horizontal, o dipolo apresenta um certo grau de direcionalidade. Já na posição vertical, passa a ter um padrão de radiação omnidirecional, semelhante ao de uma antena ground plane. Essa característica torna o dipolo vertical especialmente interessante para comunicações locais em VHF e UHF, onde a cobertura uniforme em todas as direções é desejável.

Conceito da Construção

A antena dipolo vertical VHF/UHF se destaca pela simplicidade do projeto. Em poucas horas é possível ter tudo pronto, desde que se tenha um mínimo de organização e atenção aos detalhes. A ideia básica é utilizar dois conjuntos de elementos, um ajustado para 2 m e outro para 70 cm, separados por um espaçador que mantém o alinhamento e garante a distância correta entre eles.

Os materiais podem variar bastante. Tubos de alumínio são comuns, mas outros condutores também podem ser usados, desde que as dimensões sejam recalculadas corretamente. Para a parte estrutural, suportes plásticos funcionam bem, sejam eles reaproveitados de outras antenas ou produzidos por impressão 3D. Nesse caso, vale considerar a resistência do material às intempéries, principalmente à radiação solar, para garantir maior durabilidade.

Detalhes Mecânicos e Durabilidade

Um dos segredos para uma antena durável é a rigidez mecânica. O uso de espaçadores metálicos — como conexões de latão ou espaçadores sextavados do tipo “standoff”, comuns em montagens de placas eletrônicas — ajuda a manter os elementos firmes e bem alinhados. Além disso, esses componentes proporcionam bom contato elétrico e, quando bem instalados, apresentam excelente resistência à corrosão.

Marcas de referência nos tubos de extensão, feitas em intervalos regulares, facilitam bastante o processo de ajuste da ROE. Elas permitem saber exatamente quanto o elemento foi estendido ou recolhido. Com uma construção cuidadosa, a manutenção tende a ser mínima: uma inspeção e limpeza anual geralmente são suficientes para manter a antena em ótimas condições por muitos anos.

Ajuste da ROE (SWR)

O ajuste fino da ROE é uma etapa fundamental para garantir bom desempenho e proteger o equipamento. Um analisador de antenas, como um nanoVNA, é mais do que suficiente para essa tarefa. O ideal é realizar os ajustes com a antena já instalada no local definitivo, pois altura, proximidade de objetos e até o tipo de suporte podem influenciar significativamente as medições.

Um método prático é começar ajustando a banda de 2 metros e, em seguida, passar para a de 70 centímetros. Como os elementos podem interagir entre si, é recomendável alternar as medições entre as duas bandas até encontrar um equilíbrio satisfatório. Após atingir valores de ROE adequados, basta fixar definitivamente os tubos de extensão.

Instalação e Cuidados com RF

Na instalação final, um detalhe importante é o uso de um choke de RF no cabo coaxial. Algumas voltas de RG58 próximas ao ponto de alimentação da antena ajudam a reduzir correntes de modo comum e podem contribuir para uma ROE mais estável. Embora nem sempre seja possível medir diretamente a eficácia desse recurso, ele é amplamente utilizado e recomendado na prática.

A antena pode ser instalada em mastros, paredes ou suportes laterais, dependendo do espaço disponível no QTH. O importante é garantir que ela fique o mais livre possível de obstáculos próximos, maximizando seu desempenho.

Considerações Finais

O grande atrativo dessa antena dipolo vertical VHF/UHF é a combinação de simplicidade, baixo custo e bom desempenho. Com materiais reaproveitados e um pouco de paciência, é possível montar uma antena eficiente em menos de uma hora. Na prática, ela atende muito bem tanto a comunicações diretas quanto ao uso de repetidoras, oferecendo flexibilidade ao operador.

Além disso, o projeto serve como excelente base de aprendizado e comparação com outros modelos caseiros, como a antena Flower Pot, que também é popular entre radioamadores. Independentemente do caminho escolhido, o mais importante é compreender os princípios envolvidos, utilizar corretamente as ferramentas de cálculo e, acima de tudo, aproveitar o processo de construir e experimentar.

Seja criativo, teste variações e ajuste com cuidado. Construir a própria antena é parte essencial da essência do radioamadorismo — e, muitas vezes, tão prazeroso quanto fazer o primeiro contato com ela no ar.

texto original https://yo6dxe.com/vhf-uhf-vertical-dipole-antenna/

Carlos PY2CER

Carlos Rincon, conhecido como PY2CER, é um entusiasta do radioamadorismo com uma trajetória marcada pela curiosidade e dedicação. Desde criança, já demonstrava interesse pelas comunicações desmontando brinquedos para construir seus próprios rádios. Hoje, é uma figura respeitada na comunidade, unindo conhecimento técnico com a paixão por conectar pessoas ao redor do mundo. Além de operador experiente, Carlos é o fundador do AntenaAtiva.com.br, um portal voltado à divulgação e ensino do radioamadorismo no Brasil. O site oferece conteúdo acessível e educativo para iniciantes e avançados, com foco em antenas, comunicação via satélites, concursos de rádio e atividades escolares. Com iniciativas que envolvem escolas técnicas, projetos com satélites meteorológicos e ampla atuação na comunidade, Carlos Rincon e o Antena Ativa se consolidaram como referências nacionais no universo do radioamadorismo, combinando tecnologia, educação e espírito comunitário.

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