Em entrevista ao Radio Prague International, Iryna Slavinska, diretora da Rádio Cultura — o terceiro canal da emissora pública ucraniana Suspilne — descreveu o rádio como um meio ‘‘muito poderoso, muito influente e muito transparente’’. Slavinska, que assumiu o cargo em 2018, é formada em filologia, tem vasta experiência em educação e trabalho cultural e fala francês fluentemente.
Desde a invasão em larga escala de fevereiro de 2022, ondas de rádio frequentemente se tornaram o único meio de comunicação ucraniano acessível a moradores em áreas sob ocupação russa. A natureza técnica do rádio — fácil propagação e menor dependência de infraestrutura sensível a bloqueios — permite que sinais cheguem onde internet e TV são censuradas ou interrompidas.
Um canal dedicado à cultura não se limita a entretenimento: oferece linguagem, memória e identidade. Programas sobre literatura, música, história e educação mantêm laços comunitários, ajudam a preservar a língua ucraniana e oferecem contexto e conforto emocional em tempos de desorientação e medo.
Para Slavinska, a transparência e o alcance do rádio o tornam ferramenta essencial tanto para informar quanto para sustentar a vida cultural do país. Em um cenário onde a desinformação e o silêncio impõem apagamentos, a emissora busca manter a presença ucraniana nas ondas e, assim, defender memória, identidade e cidadania.
Fonte: Radio Prague International (entrevista por Paul Jamet).
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