O rádio segue sendo uma ferramenta essencial de informação e conexão, mesmo em um século dominado por plataformas digitais. Nas últimas semanas, três narrativas distintas — o aniversário de 30 anos do programa The World, o surgimento de Hona Ghazza em Gaza e os 95 anos da Rádio Vaticano — chamaram atenção para o papel do rádio na comunicação local e global.
Lançado para aproximar o público dos Estados Unidos de notícias internacionais, o programa The World, coproduzido por GBH e PRX, completou três décadas no ar. A atração se consolidou como a única produção diária de rádio público norte-americano dedicada integralmente à cobertura internacional, cruzando fusos e oferecendo histórias que ampliam a compreensão sobre política, conflitos, cultura e economia fora dos EUA. Em participação no All Things Considered, o apresentador Marco Werman marcou a data com reflexões sobre o papel do programa em conectar ouvintes a contextos globais.
Da devastação surgem tentativas de reconstrução de meios locais. Em Gaza, a nova estação Hona Ghazza (Aqui Gaza) voltou a transmitir em FM após longos períodos de silêncio provocados pelo conflito, quando dezenas de estações locais foram destruídas. Montada em estúdios improvisados e apoiada por redes de mídia locais e centros universitários, a estação busca restaurar o fluxo de informação e oferecer à população programação que vá além de música — incluindo notícias, anúncios comunitários e espaço para vozes locais.
Fundada em 12 de fevereiro de 1931 por iniciativa de Guglielmo Marconi a pedido do papa Pio XI, a Rádio Vaticano celebra 95 anos como um dos veículos históricos de comunicação do Vaticano. Mantida inicialmente sob a orientação dos jesuítas, a emissora ampliou ao longo das décadas sua missão de informação e evangelização. Parte dessa história é a English Africa Service, que aproxima 76 anos de transmissões voltadas ao continente africano, reafirmando o papel internacional da emissora.
As três histórias ilustram tendências complementares: o rádio continua relevante em crises por sua capacidade de operar em condições adversas; programas dedicados, como The World, mostram que há demanda por jornalismo internacional no formato diário; e instituições antigas, como a Rádio Vaticano, adaptam-se mantendo alcance histórico. A convergência com mídias digitais amplia possibilidades, mas a essência do rádio — rapidez, acessibilidade e confiança em contextos locais — mantém seu valor.
Em diferentes escalas, do estúdio profissional ao equipamento improvisado, as ondas de rádio seguem conectando comunidades, informando públicos e preservando vozes que, muitas vezes, encontram no ar o único caminho para ser ouvidas.
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