Como usar uma antena de recepção com SDR em rádios sem porta RX: guia prático com o DX Engineering RTR-1A
Switch protege o SDR, integra antena principal e RX-only e permite comutação via terra de transmissão; veja conexões, alimentação e dicas para Ten-Tec Eagle, Yaesu FT-DX10 e antenas LoG
Operadores de rádio amador que desejam somar uma antena de recepção dedicada e um SDR externo em transceptores sem porta RX têm no DX Engineering RTR-1A uma solução direta, segura e eficiente. O comutador automatiza a troca entre a antena de recepção e a antena principal durante a transmissão, protege a entrada do SDR e mantém a operação transparente para o rádio — ideal para quem pratica QRP e quer extrair o máximo de sinal com ruído mínimo.
O que o RTR-1A resolve
- Permite usar uma antena de recepção “RX-only” (por exemplo, uma Loop on Ground/LoG) em rádios sem conector dedicado de RX.
- Integra um SDR externo para monitoramento, panadapter e recepção aprimorada, mantendo o transceptor como estação principal.
- Comuta automaticamente para a antena de transmissão quando o PTT é acionado, aterrando as portas de recepção e protegendo o SDR.
Na prática, você ganha flexibilidade para combinar uma antena otimizada para ouvir com sua antena principal de TX, além de elevar a consciência de banda via SDR (com softwares como HDSDR ou SDRUno).
Entenda as portas e o fail-safe
O RTR-1A traz conectores claramente identificados, o que reduz erros nas ligações:
- MAIN ANT IN: entrada da antena principal de transmissão.
- RX ANT IN (duas portas em paralelo): entradas para a antena de recepção. Uma delas costuma ser F-Type fêmea, comum em cabos de TV/coax.
- MAIN ANT OUT: saída para o SDR externo (canal de recepção), que deve ser protegido por um limitador/“front-end protector” passivo a diodo.
- RADIO: conexão para a porta de antena do seu transceptor.
- TRANSMIT GROUND (TX GND): entrada de chaveamento por terra. Quando o rádio transmite, esta linha coloca o pino central em curto com o terra, comandando a comutação.
Alimentação: o switch requer 12 V DC e compartilha terra comum com o rádio. Sem alimentação, ele entra em modo de segurança: conecta MAIN ANT IN ao RADIO e aterra RX ANT IN e MAIN ANT OUT, isolando o SDR. Assim, se faltar energia, o transceptor segue operando com a antena principal e o SDR fica protegido.
Passo a passo de ligação
- Conecte a antena principal de TX em MAIN ANT IN (normalmente via PL-259), garantindo que somente a antena de transmissão use essa porta.
- Ligue a antena de recepção (RX-only) em uma das RX ANT IN. Se sua antena RX usa cabo coaxial com conector F-Type, utilize a porta correspondente. Desconectores rápidos F-Type podem facilitar guardar o sistema quando fora de uso.
- Leve um cabo de MAIN ANT OUT até a entrada do seu SDR. Intercale um protetor de front-end passivo a diodo antes do SDR. Adaptações comuns: RCA para BNC/SMA, conforme o conector do seu SDR.
- Una a porta RADIO do RTR-1A à porta de antena do transceptor com um cabo coaxial (PL-259 macho-macho, na maioria dos casos).
- Conecte o TRANSMIT GROUND do RTR-1A à saída de TX GND do seu rádio (RCA). O sistema aceita somente chaveamento por aterramento (sem chaveamento por tensão positiva). Verifique o manual do transceptor.
- Alimente o RTR-1A com 12 V DC estáveis. Certifique-se de que rádio, RTR-1A e SDR compartilham o mesmo terra.
Importante: revise a pinagem do conector de controle do seu transceptor. Em modelos com porta dedicada de TX GND via RCA (como o Ten-Tec Eagle), a ligação é direta. Já em rádios como o Yaesu FT-DX10, o TX GND está disponível no conector de acessórios (SCU-28, pino 2 para terra). Um pequeno “breakout box” facilita trazer esse ponto a um RCA.
Dicas de uso com SDR e rádios populares
- Proteção do SDR: embora o RTR-1A aterre as portas de RX quando em TX, adicionar um protetor de front-end passivo a diodo é uma camada extra de segurança, especialmente em ambientes com campos fortes.
- Softwares SDR: HDSDR e SDRUno são opções maduras. A escolha pode depender de preferências por interface, estabilidade de drivers e recursos de gravação/panadapter.
- Antenas RX: uma LoG (Loop on Ground) é silenciosa e eficiente para bandas baixas. Combine-a com sua antena de TX para reduzir ruído local e melhorar o SNR.
- Conectores e cabos: planeje as adaptações (RCA/BNC/SMA/F-Type) para trajetos curtos e com conectores de qualidade. Menos adaptadores significam menos perdas e menos pontos de falha.
- QRP: mesmo com potências baixas, mantenha as boas práticas de proteção. O fail-safe do RTR-1A e o aterramento correto preservam o SDR e evitam surpresas.
Em operação, a comutação é transparente: ao pressionar o PTT, o RTR-1A desvincula a antena RX e conecta a principal ao transceptor, aterrando as portas ligadas ao SDR. Ao retornar ao RX, o SDR volta a “ver” a banda, permitindo monitoramento amplo e recepção com menor ruído. Tudo isso aumenta a capacidade de caçar sinais fracos e aproveitar melhor cada dB em operações diárias ou expedições leves.
Resumo: se o seu rádio não tem porta de RX, o DX Engineering RTR-1A é um atalho confiável para integrar uma antena de recepção dedicada e um SDR externo, com proteção embutida, comutação por terra e comportamento fail-safe — uma combinação que amplia a escuta e mantém seu equipamento em segurança.
Carlos PY2CERCarlos Rincon, conhecido como PY2CER, é um entusiasta do radioamadorismo com uma trajetória marcada pela curiosidade e dedicação. Desde criança, já demonstrava interesse pelas comunicações desmontando brinquedos para construir seus próprios rádios. Hoje, é uma figura respeitada na comunidade, unindo conhecimento técnico com a paixão por conectar pessoas ao redor do mundo. Além de operador experiente, Carlos é o fundador do AntenaAtiva.com.br, um portal voltado à divulgação e ensino do radioamadorismo no Brasil. O site oferece conteúdo acessível e educativo para iniciantes e avançados, com foco em antenas, comunicação via satélites, concursos de rádio e atividades escolares. Com iniciativas que envolvem escolas técnicas, projetos com satélites meteorológicos e ampla atuação na comunidade, Carlos Rincon e o Antena Ativa se consolidaram como referências nacionais no universo do radioamadorismo, combinando tecnologia, educação e espírito comunitário.