Um período de recuperação hospitalar virou terreno fértil para inovação no radioamadorismo. Em relato no AmateurRadio.com, um apresentador do ICQ Podcast, tratado com sucesso de um câncer de próstata agressivo no Mayo Clinic, descreveu como aproveitou o tempo em repouso para projetar uma série de antenas portáteis de HF. As ideias saíram do caderno e chegaram às páginas da revista Practical Wireless, com soluções acessíveis e de montagem rápida para quem opera em campo.
O autor, atendido por uma equipe de referência em cirurgia robótica liderada pelo Dr. Igor Frank, diz ter focado o pensamento em antenas para manter a mente ativa durante a recuperação. O resultado: quatro projetos com enfoque em custo, simplicidade e desempenho, inspirados em experiências próprias, avaliações de colegas e vídeos de criadores no YouTube.
Inspirada em um vídeo de Jim Heath (W6LG, sk), a Eiffeltenna parte de um tripé de iluminação fotográfica — que isola eletricamente as três pernas do segmento telescópico central — combinado a um chicote telescópico de 17 pés e uma bobina de indução. Para completar, o autor usou tecido condutivo (Faraday cloth) como “toalha de mesa” abaixo da base, compondo o plano de terra.
O segredo, segundo o relato, está em garantir baixíssima resistência elétrica nas junções quando o conjunto é estendido, o que reduz perdas e facilita o ajuste. A montagem e a desmontagem são muito rápidas, e o transporte, simples. A Eiffeltenna foi publicada na edição de outubro de 2025 da Practical Wireless.
Fã de antenas loop desde adolescente, o autor analisou a popular Tactical Delta Loop, da Chameleon, destacando o preço superior a US$ 400 e avaliações de criadores como Steve KM9G (Temporarily Offline) e Michael KB9VBR. Segundo ele, modelos clássicos do engenheiro Lawrence Cebik mostram que loops do tipo Delta apresentam harmônicos e forte dependência da altura em relação ao solo no ponto de impedância. Alguns fabricantes usam baluns fixos (como 5:1) para aproximar os 50 ohms, mas a curva de ROE pode variar com a altura e o terreno.
Para contornar isso, a proposta Delta Vee AutoLoop adota um sintonizador automático (ATU) leve, de detecção por RF, instalado diretamente no ponto de alimentação do loop — antes do coaxial — permitindo casar a impedância de forma mais ampla em várias faixas de HF. A estrutura usa um tripé de topografia Manfrotto sem cabeça, adquirido usado a baixo custo. Segundo o autor, a solução se mostrou prática para operações portáteis e atraiu interessados, como Randy K7AGE, que planeja usá-la em ativações POTA com o veículo estacionado. A Delta Vee AutoLoop saiu na Practical Wireless de janeiro de 2026.
Mastros de fibra de carbono costumam frustrar operadores por interferirem no carregamento de fios; porém, um experimento do criador Ben VE6SFX — aplicando fita condutiva ao exterior do mastro — abriu uma trilha promissora. Daí nasceu a Random Copper Stick (RCS): o autor aplicou fitas de cobre de 1 polegada e 1/8 de polegada em cada seção do mastro telescópico, removendo a porção mais fina da ponta por não comportar a fita.
Testes indicaram um efeito claro: a proximidade das fibras de carbono altera a relação entre comprimento físico e elétrico, reforçando a necessidade de um casamento de impedância adequado. A combinação de um unun 9:1 e um ATU no rádio resultou em desempenho sólido em múltiplas faixas. Fácil de montar e transportar, a RCS também funciona como bastão de caminhada para operações em trilhas. O autor construiu uma para um amigo, Scott K0MD, usar com o Icom 705. O artigo foi publicado na Practical Wireless de fevereiro de 2026.
Prevista para uma edição de abril da Practical Wireless, a Wave Caster Vertical mira máxima agilidade. A inspiração veio de vídeos do Chuck KK6USY, que propôs um pequeno carretel de resina com terminal de anel para enrolar o fio sem estressá-lo — solução que o autor incorporou ao projeto. A antena usa mastros de fibra de carbono e um clamp de fotografia tipo Super-C, permitindo fixação em quase qualquer superfície robusta (como parapeitos, mesas, bancos ou estruturas na praia).
A proposta é atender radioamadores com pouco tempo para POTA ou ativações rápidas, minimizando etapas de montagem e evitando quebras de fio. O autor alerta apenas para não esquecer o conjunto preso no local — algo fácil de acontecer na correria da operação portátil.
Além desses projetos, outras ideias estão sendo finalizadas conforme as condições climáticas no sul dos EUA permitem, com possibilidade de novas publicações. O relato também reserva espaço para um agradecimento emocionado: o autor destaca a experiência positiva no Mayo Clinic, citando a liderança do Dr. Igor Frank e a atenção individualizada em um centro que trata dezenas de milhares de pacientes com câncer de próstata por ano e figura entre os melhores dos EUA.
Da cama de hospital aos parques, praias e telhados com restrições de HOA, as soluções apresentadas reforçam uma tendência no radioamadorismo: antenas portáteis de baixo custo, ajustes inteligentes (baluns, ununs e ATU no ponto certo) e montagem expressa para aproveitar cada janela de propagação.
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