Em poucas palavras: a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores (REER-SP) funciona como uma malha comunicacional suplementar que entra em operação quando redes convencionais falham. Você pode contar com a REER-SP para restabelecer enlaces de voz e dados, apoiar postos de comando, coordenar busca e salvamento e fornecer relato situacional em áreas isoladas.
Se estiver envolvido em resposta a desastres — como gestor, voluntário ou cidadão afetado — saiba que a REER-SP atua por meio de radioamadores voluntários habilitados, equipamentos portáteis e repetidoras temporárias, sempre sob a coordenação da Defesa Civil estadual. A ativação é prevista por decreto e orientada por regulamento específico.
Quando redes móveis e internet caem, decisões críticas ficam sem base informacional. Sem comunicação você não consegue localizar vítimas, priorizar recursos ou articular envio de equipes. Nessas lacunas, o rádio amador frequentemente se torna o elo que resta.
Relatos recentes mostram que rádios portáteis e frequências dedicadas foram responsáveis por transmissões que salvaram vidas e guiaram operações de resgate. Esse histórico comprova que investir em redes suplementares não é opcional — é uma parte essencial do preparo.
A REER-SP foi instituída por decreto estadual para oferecer comunicação suplementar em caso de desastre no território de São Paulo. O Decreto n.º 64.569/2019 formaliza sua estrutura, integrando voluntários habilitados à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.
Na prática, a rede é composta por voluntários com Certificado de Operador de Estação de Radioamador (COER). A coordenação estadual define supervisores, coordenadores regionais e regulamentos de operação.
A REER-SP subordina-se operacionalmente à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC). Isso significa que sua ativação e missão seguem diretrizes unificadas com os centros de comando civil e militar.
O plano de ativação prevê acionamento em pelo menos três cenários: desastres reais, simulados e eventos que demandem comunicação suplementar. A ativação é formal e orientada por procedimento padronizado.
Você verá a REER-SP operando em três frentes principais: restabelecimento de enlaces locais, instalação de repetidoras temporárias e operação de estações-base que ligam pontos isolados ao posto de comando.
Os radioamadores se deslocam com equipamentos portáteis (HTs), rádios base, antenas e baterias. Em alguns casos, há instalação rápida de repetidoras em pontos estratégicos para ampliar alcance e conectar equipes de resgate a centros decisórios.
Uma operação da REER-SP normalmente combina:
Há diversas experiências que ilustram a eficácia da atuação de radioamadores em desastres. Em eventos de 2023 e 2024, ações da REER-SP e de outras redes estaduais destacaram-se por restabelecer comunicações em áreas isoladas.
Um exemplo notável ocorreu durante as chuvas que atingiram o litoral norte de São Paulo: radioamadores da REER-SP instalaram repetidoras e conectaram áreas de resgate ao centro de comando, inclusive com equipamentos deslocados por helicóptero.
Experiências anteriores — como as enchentes históricas em Santa Catarina (2008) e os resgates no Rio Grande do Sul — também mostram padrões repetidos: falta de energia, colapso de telefonia e a indispensabilidade do rádio quando as demais infraestruturas sucumbem. Esses relatos e análises constam em levantamento recente sobre comunicação em situações de emergência, que documenta o papel humanitário dos radioamadores e sua prontidão em catástrofes. A fonte descreve exemplos práticos e estatísticas que reforçam essa conclusão.
Algumas lições recorrentes:
– preparar redundância: não dependa de um único meio de comunicação.
– articular integração com Defesa Civil: comando unificado evita sobreposição de frequências e erros logísticos.
– manter treinamento e exercícios regulares para preservar prontidão.
O serviço de radioamador é regulamentado pela ANATEL e exige certificação do operador (COER). A atividade tem objetivos de instrução técnica, intercomunicação e investigação — e seu uso em emergências é previsto pela legislação e por portarias administrativas.
Além da certificação, a REER-SP possui regulamentos internos que definem critérios de participação, hierarquia e responsabilidades operacionais.
Para atuar na REER-SP você precisa, no mínimo:
– COER válido emitido pela ANATEL;
– equipamentos portáteis e baterias de confiança;
– conhecimento de procedimentos de emergência e net control;
– disponibilidade para deslocamento e operação em cenários adversos.
A eficácia da REER-SP depende da integração com centros oficiais. Em campo, os radioamadores costumam operar sob a direção da Defesa Civil, em registros que garantem fluxo seguro de informações entre equipes de resgate, helicópteros, hospitais e coordenação estadual.
Essa integração evita ruído de comunicação e faz com que as mensagens críticas cheguem ao destinatário certo em tempo hábil.
Protocolos simples e padronizados — como check-in por prioridade, confirmação de recebimento e resumo de situação — reduzem ambiguidades. Você deve familiarizar-se com formatos de mensagem aceitos no centro de comando e com a priorização de tráfego.
Atualmente, a combinação mais comum inclui VHF/UHF analógico, repetidoras, APRS para localização básica e soluções digitais (como DMR e sistemas de pacotes) quando há infraestrutura suficiente.
As tendências apontam para maior uso de soluções digitais híbridas que permitam tráfego de voz e dados em baixa largura de banda, além de integração com plataformas de comando por IP quando houver enlace via satélite ou link móvel temporário.
Freqüências de VHF (como a 146.520 MHz citada em casos de emergência) são frequentemente usadas como canal de chamada. Repetidoras temporárias aumentam o alcance, e antenas improvisadas em pontos altos podem transformar a cobertura local.
Seu kit mínimo deve contemplar: rádio HT, bateria reserva, cabo coaxial, antena portátil, e, se possível, um rádio base com fonte de energia alternativa (painel solar ou gerador pequeno).
Abaixo está um checklist prático para você usar no preparo — itens práticos, consumíveis e competências.
Se você é radioamador e quer colaborar, o primeiro passo é obter ou atualizar seu COER. Em seguida, entre em contato com a coordenação regional da Defesa Civil e busque integrar um grupo local de REER.
Participe de treinamentos e simulados. A rede se fortalece com operadores capacitados e rotinas de prática que reproduzem o estresse e as falhas que ocorrem em campo.
Você também pode apoiar a rede: autoridades locais e gestores devem reconhecer e incluir a REER-SP nos planos de contingência. Cidadãos podem divulgar canais oficiais de informação e não propagar boatos, contribuindo para uma comunicação eficaz.
Autoridades devem garantir a formalização de protocolos de cooperação, logística para deslocamento de radioamadores e recursos básicos (combustível, alojamento, alimentação em campo). A inserção da REER-SP em exercícios de grande porte é crucial para validar procedimentos.
Recomendações estratégicas:
– manter uma lista atualizada de voluntários e competências regionais;
– assegurar estoque de equipamentos críticos e meios de transporte;
– promover cursos e certificações com foco em comunicação de emergência;
– articular parcerias com forças de segurança e instituições de saúde para interoperabilidade.
No litoral norte de São Paulo (fatos de 2023), a instalação emergencial de repetidoras permitiu a coordenação entre postos de comando e áreas isoladas, resultando em operações de resgate mais rápidas.
Em Santa Catarina (2008), radioamadores trabalharam em mais de 25 municípios, auxiliando no resgate por helicóptero e no tráfego de informações quando as redes convencionais falharam. Esses eventos demonstram que a presença de radioamadores qualificados reduz tempo de resposta e pode salvar vidas.
Mito: “o rádio amador é apenas um hobby.” A realidade: em emergências, o radioamadorismo constitui uma capacidade técnica crítica e regulada, com profissionais que passam por avaliação e certificação.
Mito: “qualquer rádio resolve.” Equipamento por si só não basta. Você precisa de operador certificado, conhecimento de procedimentos e integração com comando operacional para que a comunicação seja eficaz.
Para que a REER-SP se mantenha eficaz, é necessário investir em treinamento, renovação tecnológica e incentivos para voluntariado. Políticas públicas que reconheçam e facilitem a atuação (como apoio logístico e cursos) ampliam a resiliência do sistema estadual.
Além disso, a interação com redes nacionais e internacionais de radioamadores fortalece intercâmbio de boas práticas e resposta coordenada a eventos de grande escala.
Se você é gestor: inclua a REER-SP nos seus planos de contingência, participe de exercícios conjuntos e mantenha canais formais de ativação e pagamento de logística quando necessário.
Se você é radioamador: atualize seu COER, participe de treinos e mantenha seu equipamento pronto e carregado. Seu conhecimento técnico é um recurso estratégico para a segurança da comunidade.
Se você é cidadão: informe-se sobre os canais oficiais de Defesa Civil e apoie ações locais de preparação. Em tempos de crise, comunicação clara e coordenada faz a diferença entre desordem e resposta eficaz.
O papel da REER-SP é ser a linha de frente da comunicação quando tudo mais falha. Ao entender sua estrutura, práticas e limitações, você aumenta a capacidade de resposta da sua equipe ou comunidade e contribui para salvar vidas em situações críticas.
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