Encontro promovido pelo DX Clube do Brasil ocorre de 14 a 17 de maio no Valle Hotel, em Lorena (SP), com antenas instaladas no local e logística acessível para participantes de todo o país
Por Carlos Rincon (PY2CER) — AntenaAtiva.com.br
LORENA, SP — A comunidade brasileira de radioescuta tem novo ponto de convergência presencial entre os dias 14 e 17 de maio, quando o DX Clube do Brasil realiza o Lorena DX Camp, três noites dedicadas à captação de estações distantes em ondas curtas, médias e demais faixas. O evento começa ao meio-dia de quinta-feira e se encerra no domingo no mesmo horário, dentro do Valle Hotel, na zona rural do município paulista — local escolhido justamente pela ausência de ruído elétrico, variável que costuma comprometer a recepção em áreas urbanas. As reservas são feitas por WhatsApp, e a programação está aberta a qualquer pessoa interessada no hobby, mediante confirmação prévia com a organização.
A escolha de Lorena tem motivação prática além do ambiente eletromagnético favorável. Situada no Vale do Paraíba paulista, a cidade fica próxima a Aparecida, cujo terminal rodoviário recebe linhas de praticamente todas as regiões do Brasil. Para o radioescuta que vem de fora do estado e não dispõe de veículo próprio, isso encurta a logística — resta apenas o trecho final até o hotel-sede, instalado às margens da estrada que liga Lorena ao distrito do Guará.
Por que um camp longe das cidades
A radioescuta de longa distância — conhecida no jargão internacional como DXing — depende de equilíbrio delicado entre antena, receptor e ambiente. Em grandes centros, fontes domésticas de interferência como lâmpadas LED, fontes chaveadas, eletrodomésticos modernos e linhas de transmissão geram um piso de ruído que mascara sinais fracos vindos de continentes distantes.
Em zonas rurais, esse piso cai vários decibéis. Estações imperceptíveis dentro de um apartamento passam a ser audíveis com clareza, especialmente em emissões noturnas, quando a propagação ionosférica nas faixas tropicais e em ondas curtas se intensifica. É por isso que encontros como o de Lorena costumam concentrar atividades principais no período da noite e na madrugada.
No local, várias antenas serão instaladas previamente para uso coletivo, segundo informações do DX Clube do Brasil. A configuração permite que participantes que chegam sem equipamento pesado possam testar montagens, comparar receptores e avaliar a resposta de diferentes projetos em condições reais — algo difícil de reproduzir em casa.
Convívio é parte central da programação
Mais do que a captação técnica de sinais raros, o camp tem caráter associativo. Entre uma escuta e outra, participantes trocam dicas sobre QSLs — os tradicionais cartões de confirmação enviados por emissoras a quem reporta corretamente uma transmissão —, comparam logs, discutem o uso crescente de receptores definidos por software (SDRs) e ferramentas de decodificação digital, além de compartilharem técnicas de antena.
Para quem nunca conheceu pessoalmente outro dexista, o formato funciona como porta de entrada. O DX Clube do Brasil, organizador do evento, mantém atividade regular há décadas e é referência para a comunidade nacional, que se comunica de maneira distribuída por meio de boletins, listas e o portal Ondas Curtas. O encontro presencial, segundo a entidade, cumpre função que nenhuma plataforma digital substitui — o repasse de conhecimento técnico em primeira pessoa, com receptores ligados e antenas no quintal.
A reportagem ouviu, ao longo dos anos, relatos recorrentes de iniciantes que credita a esses encontros o salto qualitativo no próprio hobby. A presença simultânea de operadores experientes e novatos em torno do mesmo equipamento acelera o aprendizado de uma forma que tutoriais escritos não conseguem reproduzir.
Como se inscrever
As reservas são feitas diretamente pelo WhatsApp, no número (12) 99723-1919, com Vânia, responsável pela hospedagem do hotel. Após o aceite da reserva, o participante deve enviar mensagem a Carlos, no (11) 99639-6793, confirmando presença — etapa que ajuda a organização a dimensionar estrutura, refeições e distribuição de antenas.
Os valores de hospedagem e alimentação são tratados diretamente com o Valle Hotel. A organização recomenda inscrição antecipada em razão da capacidade limitada e da proximidade da data — restam pouco mais de uma semana até o início do evento.
O período escolhido, meados de maio, costuma oferecer condições estáveis no hemisfério sul, com temperaturas amenas que favorecem montagens externas. Este ano, o cenário é reforçado pelo fato de o Sol estar próximo do pico do Ciclo Solar 25, configuração que tem produzido aberturas notáveis em faixas altas, como 15, 13 e 11 metros — alvos preferenciais de quem busca DX intercontinental.
Um hobby que resiste à era do streaming
Embora a popularização da internet tenha reduzido o papel das ondas curtas como veículo de notícias internacionais, o DX segue ativo. Emissoras religiosas, públicas e comunitárias mantêm operações na faixa, e novos públicos têm chegado ao hobby por meio de receptores SDR de baixo custo, que permitem capturar e decodificar sinais diretamente em um computador. O resultado é uma comunidade híbrida, na qual veteranos com décadas de logs convivem com iniciantes vindos da cultura maker.
Encontros presenciais como o Lorena DX Camp ocupam papel central nessa renovação. Ao reunir as duas gerações sob as mesmas antenas, o evento funciona como laboratório vivo do que o hobby ainda pode oferecer — em um momento em que a propagação favorece justamente os experimentos mais ambiciosos.
Mais informações sobre o Lorena DX Camp e outras atividades do DX Clube do Brasil estão disponíveis no portal Ondas Curtas (www.ondascurtas.com).
Este artigo foi produzido a partir de comunicado oficial do DX Clube do Brasil e da observação direta do autor sobre o segmento. Política editorial: AntenaAtiva.com.br não recebe contrapartida financeira para divulgação de eventos do hobby de radioescuta.




Uma resposta
Parabéns aos organizadores pela iniciativa.
Vou tentar participar e prestigiar.
Sucesso em todos os sentidos.