O concurso de radioamadorismo mais ligado à história naval brasileira reúne estações de todo o país nas bandas de 10 a 80 metros, com pontuação especial para contatos militares e regras renovadas para 2026
Última atualização: junho de 2026
No fim de junho, quando a propagação em HF costuma surpreender com aberturas inesperadas nos 10 e 15 metros, os radioamadores brasileiros têm um encontro marcado nas bandas. O Conteste Batalha Naval do Riachuelo o CBNR, para quem já está acostumado com o logcheck completa sua 25ª edição com um regulamento atualizado, categorias pensadas para diferentes perfis de operador e a estação PY1BJN no ar como ponto central de pontuação.
A competição é organizada pelo Grêmio de Comunicações da Escola Naval (GCEN), que funciona como elo entre o radioamadorismo e a tradição marítima do Brasil. A data não foi escolhida por acaso: o conteste coincide com o aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865 no rio Paraná, quando a Esquadra brasileira sob o comando do Almirante Barroso decidiu a campanha da Tríplice Aliança pelo controle das vias fluviais. É a Data Magna da Marinha do Brasil, e o conteste é a forma que os Aspirantes do GCEN encontraram para tornar esse episódio audível nas frequências.

Quando e onde
A janela de operação vai das 18:00 UTC do sábado ao domingo seguinte, no último final de semana completo de junho 27 e 28 de junho em 2026. São 24 horas de operação, nas bandas de 80, 40, 20, 15 e 10 metros, com os modos SSB, CW e Mixed todos permitidos. Quem preferir trabalhar só em fonia chama CQ Riachuelo; quem optar pelo telégrafo usa CQ TEST BNR.
As QRGs sugeridas vão de 3510 kHz a 3570 kHz em CW e de 3700 kHz a 3800 kHz em SSB no segmento dos 80 metros, com faixas equivalentes definidas para cada uma das bandas autorizadas. Um detalhe que vale atenção antes de sentar no operador: ajuste o relógio do computador ao UTC com antecedência. O limite aceito de divergência de horário entre logs é de 5 minutos se os QTRs de dois competidores que trabalharam o mesmo contato diferirem acima disso, o QSO cai para ambos.
O que pontua e quanto
A lógica de pontuação reflete a hierarquia histórica do conteste. Um QSO com a estação organizadora PY1BJN vale 10 pontos o maior multiplicador individual disponível, e faz sentido: é o posto de comando, por assim dizer. Estações militares (categorias OM e individual) valem 8 pontos cada; operadoras YLs somam 6 pontos; estações QRP, que operam com potência de até 5 W, entram com 3 pontos. Os demais contatos rendem 2 pontos.
A pontuação final é o produto da soma dos QSOs confirmados pelas bandas pelos multiplicadores que são os estados brasileiros (27 UFs), as ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Trindade, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, e a Região Antártica Brasileira, contados uma vez por banda. Um mesmo estado trabalhado em CW e SSB na mesma banda conta como um multiplicador; se você o trabalha também em outra banda, conta outro. A aritmética incentiva o operador multimodal que sabe explorar as diferentes aberturas ao longo do dia.
Categorias para quem está começando
Uma das mudanças que mais interessa a quem está nos primeiros anos de licença é a consolidação das categorias overlay ROOKIE e TEEN. O Rookie é o operador licenciado há três anos ou menos na data do conteste que nunca participou do CBNR portanto, se você tirou sua licença recentemente, esta pode ser literalmente sua primeira chance de competir nessa subcategoria. O Teen é qualquer operador com até 17 anos na data do evento. Em ambos os casos, a classificação é separada dos demais resultados, o que cria um pódio próprio e elimina o argumento de “não adianta competir contra veterano com 20 anos de DX”.
Para entrar nessas subcategorias, é preciso declarar as informações na linha SOAPBOX do arquivo Cabrillo: data da primeira licença (para Rookie) ou data de nascimento (para Teen). Logs sem esses dados não concorrem nas categorias overlay, por mais que o operador cumpra os requisitos de idade ou tempo de licença.
O Cabrillo e o logcheck
O CBNR aceita exclusivamente logs no formato Cabrillo, com horários em UTC. O prazo de envio vai até 73 horas após o encerramento da operação um número que claramente não é aleatório. O upload é feito diretamente em contestbr.org, parceiro histórico do conteste, com exceção das entradas SWL, que seguem por e-mail para swl@contestbr.org.
Quem ainda não tem experiência com software de conteste pode baixar os arquivos de configuração para o N1MM, programa sugerido pela organização. Uma orientação que aparece no regulamento e merece atenção: não use o Microsoft Word para revisar o arquivo de log. Parece óbvio, mas o Word insere formatação invisível que pode quebrar o parsing do Cabrillo e resultar em desclassificação ou, na melhor das hipóteses, reclassificação para Checklog.
O resultado provisório sai até 88 horas depois do prazo de envio; o resultado oficial, 88 horas depois do provisório. Os logs concorrentes são publicados abertamente desde 2019 todos podem baixar e estudar as estratégias dos competidores, o que transforma o arquivo histórico do CBNR em material de estudo genuíno para quem quer evoluir como operador de conteste.
Categoria SWL: ouvir também conta
Quem ainda não tem licença de transmissão pode participar como SWL (radioescuta individual ou em grupo), enviando um log Cabrillo específico para swl@contestbr.org. O uso de WebSDR é permitido nessa categoria, o que abre a participação para quem ainda está montando sua estação. Para obter um indicativo SWL, o registro pode ser feito gratuitamente em swarl.org. O SWL concorre separado e não pode acumular essa participação com nenhuma outra categoria do conteste.
Por que vale colocar na agenda
Um conteste nacional com 25 edições acumula algo que não aparece em nenhum regulamento: tradição. A estação PY1BJN representa uma escola de comunicações real, operada por Aspirantes que estão literalmente aprendendo a comunicar-se sob condições adversas e que vão para as bandas no mesmo espírito com que o Almirante Barroso orientou seus comandados em 1865. A frase que ele disseminou antes do embate “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever” continua no cabeçalho do regulamento, e há algo de genuíno nessa continuidade.
Para o radioamador experiente, é 24 horas de operação multimodal com multiplicadores que incentivam explorar do Amapá (AP) ao Rio Grande do Sul (RS), com bônus para quem consiga Trindade ou São Pedro e São Paulo. Para o novato com COER recente, é uma oportunidade de entrar numa estrutura de conteste bem organizada, com categorias próprias e log público para aprender depois. Para o SWL com WebSDR, é uma janela de 24 horas para ouvir o país inteiro tentando trocar RS e UF no mesmo sinal.
Informações completas sobre categorias, premiação e procedimentos de envio de log estão no regulamento publicado em contestbr.org, com suporte da LABRE-RJ.
Perguntas frequentes
Posso operar remotamente? Sim, desde que transmissores, receptores e antenas estejam dentro de um raio de 500 metros de diâmetro e fisicamente conectados. Receptores remotos fora do local da estação não são permitidos. A categoria Organização Militar (MOST-OM) não admite operação remota.
O que acontece se eu trabalhar um QSO duplicado? Sem penalidade apenas um dos dois QSOs será validado. O regulamento recomenda não deletar a duplicata do log.
Qual o indicativo a usar em operação remota? O indicativo licenciado para a estação física que está sendo operada remotamente não o do operador.
Como fico sabendo se meu log foi aceito? O robô do contestbr.org envia um e-mail de confirmação, e o log aparece listado em contestbr.org/logs-recebidos/. O status precisa chegar a “OK” para que sua pontuação entre no ranking.
Posso usar e-mail do Outlook para enviar o log? O próprio regulamento alerta que o robô tem recusado endereços Hotmail e Outlook. Prefira Gmail ou outro provedor para evitar problemas de entrega.



