Estrada reta, fim de tarde, o RP 70 ligado no painel. No meio daquele chiado que todo PXista conhece de cor, entrou uma voz limpa na faixa e quando perguntei de onde vinha o contato, a resposta foi de uma cidade a uns 60 quilômetros dali. Foi nesse instante, com o carro andando e a antena fincada no canto traseiro direito da lataria, que a B-2009 da Aquário deixou de ser “mais uma maria mole” e virou assunto de bancada.
É dela que quero te falar: o que promete no papel, o que entregou no asfalto e para quem essa antena faz sentido.
Quem é a B-2009
Antena móvel omnidirecional tipo maria mole, com bobina central, feita para a faixa do cidadão o nosso querido PX, os 11 metros lá em cima dos 27 MHz. O nome “maria mole” não é à toa: a haste é aquela vareta flexível que verga no vento e volta inteira, em vez de quebrar na primeira pernada de mato. Quem roda muito sabe o valor disso.
A bobina central é o coração do projeto. Ela é o truque que permite encurtar a antena para 108 cm sem jogar fora o rendimento porque uma antena de quarto de onda “honesta” em 27 MHz passaria fácil dos 2,7 metros, coisa que ninguém quer balançando sobre o carro. A bobina “engana” eletricamente o sistema, fazendo a antena curta enxergar a frequência como se fosse maior. É compromisso de engenharia, e está bem resolvido aqui.
Os números que importam, da ficha técnica: faixa de 26 a 32 MHz, ganho de 1,8 dBi, impedância de 50 Ω (casadinha com a saída de qualquer transceptor de PX), ROE abaixo de 1,5:1 e 530 g de peso. Esse 1,5:1 de ROE é o dado que faz o radioamador respirar aliviado: significa pouca potência refletida voltando para o final do rádio, mais sinal saindo pela ponta e um aparelho que não vai esquentar à toa.
O teste, onde a verdade aparece
Datasheet é uma coisa; rua é outra. O teste foi feito num carro comum, com a antena no topo traseiro direito e aqui vale uma palavra de colega para colega. Toda antena de 27 MHz móvel depende do plano de terra, que é a própria lataria do carro fazendo as vezes do “outro lado” da antena. Montada fora do centro do teto, como nesse caso, ela tende a irradiar um pouco mais forte para um lado que para o outro. Não é defeito; é física. Vale saber disso na hora de interpretar o resultado.
E o resultado foi bom de verdade. Dentro da cidade, recepção local cheia, sem aquele drama de ficar caçando estação. E o que mais chamou atenção: recepção de cidades a até 60 km de distância. Para uma antena móvel curta, em 11 metros, andando com o carro, 60 km é número que merece respeito ainda mais com a antena montada de canto, longe da condição ideal de centro de teto. O conjunto com o RP 70 segurou a onda.
Só um aviso honesto, porque esta voz não esconde de você os elementos para formar opinião: alcance em 27 MHz tem dois pais. Um é a antena; o outro é a propagação. Em dias de banda aberta, essa mesma antena pode te surpreender com contatos muito mais longos; em dias mortos, o 60 km fica mais difícil. O mérito da B-2009 é entregar consistência na recepção curta-e-média, que é o pão com manteiga de quem usa PX no dia a dia.

O ajuste: corte com paciência
Aqui mora o detalhe que separa quem aproveita a antena de quem reclama dela. A B-2009 vem com a haste cortável conforme tabela de frequência quanto mais alta a frequência de operação, mais curta fica a vareta. A própria Aquário recomenda, e eu reforço: faça o ajuste medindo a ROE, cortando aos poucos, sempre deixando uma sobra de segurança. Tirou demais, não tem volta. A medida da tabela é ponto de partida, não evangelho plano de terra, posição no carro e proximidade da lataria mexem no resultado final. Um bom medidor de ROE na mão vale mais que dez palpites.

A montagem é direta, com terminais e arruelas que vêm no kit, e um detalhe simpático: o parafuso allen M4 que funciona como trava antifurto. Pequeno, mas é o tipo de cuidado que você só dá valor depois que alguém leva sua antena no estacionamento.


Veredito
A B-2009 se propõe a uma coisa ser uma maria mole compacta, robusta e bem casada para PX móvel e cumpre. Os 108 cm cabem com elegância num carro de passeio, a ROE baixa protege o rádio, a haste flexível encara o uso real e os 60 km de recepção no teste mostram que a bobina central faz o serviço dela. Não é antena de base para bater recorde de DX, e nem se propõe a isso; é companheira de estrada, daquelas que você instala, ajusta direito uma vez e esquece que está ali até a hora em que uma voz limpa entra na faixa vinda de uma cidade lá no horizonte.
E quando isso acontecer, você vai lembrar deste teste. Boas conversas e um forte 73!
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