Digipeater Campinas: PY2AMW-15 em Destaque

Era para ser só um teste de bancada. Liguei a fonte, ajustei o squelch, e antes mesmo de terminar, o LED vermelho da plaquinha de APRS piscou e na tela apareceu um pacote que não era meu — era de um móvel rodando lá pelas bandas do Ouro Verde. Meu rádio tinha acabado de ouvir aquele sinal e repassado adiante, sem ninguém pedir. Foi nesse instante banal que a PY2AMW-15 deixou de ser projeto e virou infraestrutura: um digipeater de verdade, no ar, cobrindo Campinas.

O que faz um digipeater

Um móvel pequeno, com pouca potência e antena de chicote, fala bem com quem está perto e some atrás do primeiro morro. O digipeater resolve isso de um jeito simples e genial: escuta o pacote de quem está fraco e o repete com potência cheia, de um ponto alto. (Ele não cria a mensagem empresta sua voz e sua altura para quem não tem). Por isso não é luxo: é serviço público no melhor sentido amador. E até agora a região do Ouro Verde era um ponto onde os pacotes nasciam e morriam perto demais.

O que tem dentro

O coração analógico da estação é um Kenwood TR-9300 fazendo 20 W em 2 metros, travado em 145.570 MHz — que não é número qualquer, é a frequência, o canal nacional de APRS no Brasil. Por que 20 W e não os 5 W de um HT? Porque é a potência de saída que separa “te ouvi mas não consegui repassar” de “te ouvi e a rede inteira ouviu de volta”.

O cérebro cabe na palma da mão: a placa de APRS do PY4BN, baseada em ESP32. Ela faz sozinha o trabalho que antes exigia uma caixa inteira de TNC. De um lado, demodula o chiado do APRS (os tons de 1200 bps que carregam os pacotes AX.25); de outro, modula o pacote de volta e aciona o PTT do rádio. No meio, decide o que repetir e o que ignorar. E há um orgulho legítimo aqui: é uma placa nacional, de um colega brasileiro, resolvendo um problema brasileiro. Repare nos fios vermelho e branco subindo para o rádio é por ali que mora metade da arte: acertar o nível de áudio é o que separa um digipeater surdo de um que ouve na medida certa.



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Onde mora o alcance

Se você acha que o herói são os 20 W, eis a lição que todo veterano de VHF aprendeu na marra: altura ganha de potência quase sempre. A estação usa uma antena J a 10 metros de altura. A J é uma meia onda alimentada pela ponta, sem precisar de plano de terra, com padrão baixo e generoso no horizonte — exatamente para onde um digipeater quer mandar energia. E os 10 metros levantam a antena acima de telhados e mato, empurrando o horizonte de rádio para bem mais longe. É essa combinação — J no alto, 20 W honestos e um receptor de mesa de verdade — que explica o tamanho da mancha de cobertura.

O mapa não mente

O APRS tem uma vantagem deliciosa: ele se desenha. Cada pacote ouvido vira um ponto, e os pontos somados viram a cobertura — o boletim de notas do digipeater. E o boletim da PY2AMW-15 veio cheio de elogios. A mancha verde forma um disco largo em torno de Campinas, alcançando ao norte a região de Limeira, Cosmópolis e Americana; ao sul, Monte Mor, Capivari, Indaiatuba e Jundiaí; a leste, Valinhos, Vinhedo, Itatiba e Bragança Paulista. Nasceu um digipeater no Ouro Verde e ele acordou cobrindo boa parte da região metropolitana.

Na prática: qualquer móvel, tracker ou operação de campo que entrar nessa área ganha um ouvido atento e uma voz potente. O móvel fraco que abriu este texto deixou de gritar para o vazio.

Aquele LED vermelho continua piscando a cada pacote que passa. É um sinal pequeno — mas é o coração de uma estação inteira batendo, e agora o de uma boa fatia de Campinas batendo junto. Se você opera APRS na região, mande seu móvel para a faixa e monitore a 145.570.

Um forte 73, e nos encontramos na rede!

PY2AMW-15 — Digipeater APRS — Campinas/SP — 145.570 MHz

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