Cenário sereno do Pico da Bandeira com radioamadores e antenas ao amanhecer

Expedição Radioamador Pico da Bandeira: Detalhes

Neste sábado, 25 de julho, os radioamadores Amaury Mendonça (PY4LDS) e Danilo Nonato (PU4DNP) participarão de uma expedição especial ao cume do Pico da Bandeira, localizado no Parque Nacional do Caparaó, entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A operação está programada para começar às 12h, no horário de Brasília, e permitirá que radioamadores de diferentes regiões do Brasil e também do exterior tentem estabelecer contato com a estação portátil instalada no alto da montanha.

Para Amaury, esta será a primeira operação no local. Danilo, por sua vez, estará retornando ao Pico da Bandeira pela segunda vez, levando novamente equipamentos de radiocomunicação para um dos ambientes mais elevados e desafiadores do território brasileiro.

Operação a 2.891 metros de altitude

Com 2.891,32 metros de altitude, o Pico da Bandeira é oficialmente o terceiro ponto mais alto do Brasil. Além do esforço físico necessário para chegar ao cume, os operadores precisarão enfrentar baixas temperaturas, ventos intensos, variações climáticas e a menor pressão atmosférica característica das grandes altitudes.

Todo o equipamento utilizado na operação deverá ser transportado pela trilha, incluindo rádios, antenas, baterias, cabos e demais acessórios necessários para a montagem de uma estação portátil.

Mesmo diante dessas dificuldades, a altitude oferece condições interessantes para a propagação dos sinais, principalmente nas comunicações em VHF. A posição elevada e a menor quantidade de obstáculos naturais podem contribuir para contatos a distâncias significativas.

Radioamadorismo, aventura e comunicação

Mais do que um teste técnico, a expedição representa o entusiasmo de dois apaixonados pela comunicação via rádio. Para Amaury e Danilo, o radioamadorismo é uma oportunidade de aproximar pessoas, compartilhar conhecimentos e comprovar a eficiência das comunicações em locais onde não existe cobertura confiável de internet ou telefonia celular.

Reconhecido internacionalmente, o radioamadorismo reúne tecnologia, experimentação, conhecimento técnico, colaboração e serviço à comunidade. Os operadores licenciados utilizam equipamentos e frequências autorizadas para estabelecer comunicações que podem alcançar milhares de quilômetros.

No Brasil, a atividade é regulamentada pela Agência Nacional de Telecomunicações — Anatel. Além de sua importância como hobby técnico e científico, o radioamadorismo pode auxiliar em emergências, desastres naturais e grandes eventos, especialmente quando as redes convencionais ficam indisponíveis.

Ativação pelo programa SOTA

A operação também fará parte do programa internacional Summits on the Air — SOTA, iniciativa que incentiva radioamadores a realizarem ativações em montanhas e elevações cadastradas ao redor do mundo.

Durante uma ativação, os operadores que estão no cume são chamados de ativadores. Os radioamadores que tentam estabelecer contato com a estação da montanha são conhecidos como caçadores.

A referência internacional do Pico da Bandeira para esta operação será:

Referência SOTA: PP1/AL-001
Coordenadas: 20°26’04” S / 41°47’44” O
Altitude oficial: 2.891,32 metros

Dois radioamadores no cume do Pico da Bandeira montando equipamentos de rádio
Radioamadores em ação no Pico da Bandeira

Frequências previstas para a operação

Os radioamadores interessados em realizar um contato, conhecido como QSO, deverão acompanhar as seguintes frequências:

HF — faixa de 40 metros: 7.100 kHz
VHF — modo FM: 144.520 MHz

As transmissões estão previstas para começar às 12h e poderão continuar durante a tarde, dependendo das condições climáticas, da propagação, da autonomia das baterias e das condições operacionais no cume.

A comunidade radioamadorística está convidada a acompanhar as frequências e participar da ativação. Cada contato realizado ajudará a transformar a subida ao Pico da Bandeira em uma experiência ainda mais especial.

Para Amaury e Danilo, chegar ao topo representa muito mais do que vencer uma trilha de alta montanha. A expedição une aventura, amizade e conhecimento técnico, mantendo viva uma tradição centenária que continua conectando pessoas em todos os continentes.

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