Por que aprender CW (código Morse) hoje: a jornada pessoal que transforma operadores de FT8 em radioamadores completos
De contatos automatizados a práticas manuais: como o estudo do CW recupera disciplina, conexão entre colegas e prazer na arte do radioamador
Em um relato pessoal publicado no blog With Varying Frequency, o radioamador Steve K9ZW explica por que decidiu investir tempo e esforço em aprender CW, o código Morse, mesmo tendo facilidade com modos digitais como FT8 e operações em SSB. A motivação, segundo ele, não tem tanto a ver com eficiência ou velocidade de acúmulo de contatos, mas com aprendizado, desafio pessoal e o retorno de uma experiência humã mais rica no ar.
Do conforto dos modos digitais ao vazio da comunicação automatizada
Modos digitais semiautomatizados, como FT8 e FT4, tornaram-se populares por permitir muitos contatos em pouco tempo e com baixa potência. Eles são práticos e acessíveis, mas para muitos operadores acabam sendo frios e impessoais. No texto, K9ZW diz que esses modos soam estéreis, com pouca interação ham a ham em nível pessoal. Mesmo modos mais conversacionais que usam teclado podem distrair, pois exigem um computador aberto que oferece outras tentações, como navegar na internet.
SSB e digimodes estão dominados; CW é espaço para crescer
O autor reconhece que domina SSB e grande parte dos modos digitais, e que seu limite nessas modalidades é, em grande parte, o tempo que dedica ao rádio. Já o CW representa uma área onde ele se sente pouco competente e, por isso, encontra ali uma lacuna que quer preencher. Aprender CW exige foco e prática deliberada, algo que desafia quem está acostumado a multi tarefas e a soluções imediatas.
Barreiras culturais e a retomada da iniciativa pessoal
K9ZW recorda que, ao aprender Morse para fins de certificação, encontrou instrução limitada e até desestímulo por parte de um professor local, que dava a entender que CW era um território apenas para poucos. Essa visão, segundo ele, dificultou o ingresso de uma geração de novos radioamadores nessa modalidade. Com o tempo, o autor percebeu que as maiores barreiras eram pessoais: falta de disciplina, medo do esforço e acomodação em modos mais fáceis.
Comunidade, disciplina e objetivos concretos
Hoje Steve frequenta um curso de CW e relata ter encontrado colegas motivados que estão na mesma jornada. O aprendizado coletivo devolve a motivação e cria oportunidades de troca entre hams. Além disso, o estudo do CW tem obrigando o autor a recuperar hábitos de estudo focado, disciplina e controle do próprio tempo, habilidades úteis dentro e fora do rádio.
O objetivo declarado é claro e mensurável: alcançar algo em torno de mil QSOs em CW para avaliar se o modo se tornará preferência pessoal ou apenas mais uma opção viável. Até lá, a meta serve como combustível para a prática contínua e para transformar a frustração inicial em progresso consistente.
O relato de K9ZW ilustra um ponto relevante para a comunidade de rádio amador em geral. Mais que escolher uma tecnologia ou um modo por conveniência, muitos operadores encontram no CW uma oportunidade de reinvenção pessoal: resgatar o prazer da comunicação direta, fortalecer a disciplina técnica e ampliar laços entre colegas. Para quem está confortável com FT8 e SSB, aceitar o desafio do Morse pode ser uma forma de aprofundar a experiência no hobby e redescobrir por que muitos ainda valorizam o pingue-pongue manual entre antenas.
Em última instância, a pergunta por que CW hoje tem respostas múltiplas. Para Steve K9ZW, a resposta é simples e prática: porque ali há algo a aprender, pessoas motivadas para trocar experiências e a chance de se tornar um operador melhor. O resto virá com tempo e prática.



Uma resposta
Sou radioamador e amo cw tanto é que criei a primeira escola no Brasil onde as crianças aorendem cw e temo o jovem leo primeiro classe A do BRASIL tetra campeão de cw PY2POA 73 a todos do professor jardel PY2KME.