Ao escolher fio de solda, muita gente olha apenas o diâmetro ou o preço e ignora um detalhe que faz diferença no resultado: a cor do carretel. Em algumas fabricantes — como a Cobix — a cor não é estética; ela indica o tipo de fluxo inserido no miolo do fio, responsável por limpar a superfície e melhorar a aderência da solda. Entender esse código de cores ajuda a evitar falhas, reduzir retrabalho e garantir maior vida útil às placas eletrônicas.
O fio de solda é formado por uma liga metálica (geralmente estanho com chumbo ou ligas livres de chumbo) e um fluxo interno. Esse fluxo remove oxidações, facilita a molhabilidade e influencia diretamente na necessidade de limpeza pós-solda. A seguir, o que cada cor costuma representar em marcas que adotam esse padrão e em quais situações usar.
Amarelo — Fluxo RA (Resinoso Ativado)
O RA é o fluxo mais comum e um dos mais ativos. Sua ação química robusta quebra oxidações com facilidade e melhora a formação do filete de solda em superfícies difíceis.
- Quando usar: retrabalho em terminais antigos, fios com oxidação aparente e contatos que oferecem baixa molhabilidade.
- Ponto de atenção: por ser agressivo, deixa resíduos que podem acelerar corrosão e causar falhas ao longo do tempo.
- Cuidados: limpe após a soldagem com álcool isopropílico (IPA) para remover completamente os resíduos.
Azul — Fluxo No-Clean
O No-Clean prioriza praticidade: é menos agressivo e, em condições normais, não exige limpeza posterior. O resíduo formado é transparente, não condutivo e estável, favorecendo manutenção rápida.
- Quando usar: reparos em eletrônica sensível, como celulares, notebooks e placas-mãe, quando a limpeza completa não é viável.
- Diferencial: reduz o tempo de processo e o risco de danos durante a limpeza em componentes delicados.
- Limitações: não é tão eficaz em áreas muito oxidadas quanto o RA; a preparação mecânica (como leve escovação) pode ser necessária.
Laranja — Fluxo Hidrossolúvel
Entre os fluxos mais fortes, o hidrossolúvel é típico de processos industriais e aplicações em que a limpeza pós-solda faz parte do fluxo de produção.
- Quando usar: linhas de montagem e ambientes controlados que permitem lavagem completa da placa após a soldagem.
- Alerta importante: os resíduos são altamente higroscópicos e devem ser removidos obrigatoriamente com água. A ausência de limpeza acelera corrosão e falhas.
- Recomendação: evite em reparos domésticos ou em eletrônica fina sem infraestrutura de limpeza adequada.
Vermelho — Fluxo Cristal
O fluxo cristal é uma formulação sintética mais moderna do resinoso, desenvolvida para oferecer acabamento superior e menor emissão de fumaça durante o trabalho.
- Quando usar: projetos em que estética e inspeção visual são prioridade, como protótipos, apresentações e reparos com alto padrão de acabamento.
- Vantagem: deixa resíduos claros e brilhantes, facilitando a inspeção por lupa ou câmera e contribuindo para um visual mais limpo da placa.
Qual devo usar? A escolha depende do contexto. Para placas delicadas e manutenção ágil, o azul (No-Clean) costuma ser a opção mais segura. Em contatos oxidados ou difíceis, o amarelo (RA) entrega melhor desempenho, desde que a limpeza com IPA seja feita. Em ambientes industriais com lavagem garantida, o laranja (hidrossolúvel) oferece ação forte e previsível. Para acabamento impecável e inspeção facilitada, o vermelho (cristal) se destaca.
Resumo rápido:
- Amarelo (RA): forte e versátil; exige limpeza após a solda.
- Azul (No-Clean): ideal para eletrônica sensível; dispensa limpeza na maioria dos casos.
- Laranja (hidrossolúvel): uso industrial; limpeza com água é obrigatória.
- Vermelho (cristal): melhor estética; resíduos claros e menos fumaça.
Antes de comprar, verifique o rótulo do carretel: nem toda marca adota a mesma padronização de cores, e o fabricante é quem confirma o tipo de fluxo e o procedimento de limpeza recomendado. Ao alinhar a cor (fluxo) ao seu processo de soldagem, você melhora a qualidade, evita retrabalhos e prolonga a vida útil dos seus equipamentos.


