No dia 16 de fevereiro de 2026, o radioamadorismo viu o primeiro QSO concluído em 11 segundos usando o novo modo FT2, com ciclo de transmissão/recepção (T/R) de 3,8 segundos. Desenvolvido por IU8LMC (Martino, San Prisco – Itália) com consultoria da ARI, o FT2 se estabelece como o modo digital mais veloz já criado.
O trade-off é claro: o FT2 entrega até quatro vezes mais velocidade que o FT8 e duas vezes mais que o FT4, mas com perda de sensibilidade (aproximadamente 8 dB em relação ao FT8). Em cenários de sinais fortes, porém, isso resulta em throughput significativamente maior e em QSOs ultrarrápidos.
O que é o FT2?
O FT2 nasce como uma evolução da arquitetura WSJT, mantendo a estrutura de mensagem do FT8 e do FT4, mas otimizada para velocidade. Principais características técnicas do modo, conforme os testes iniciais:
Modulação: 8-GFSK
FEC: LDPC (174,91)
Payload: 77 bits
Ciclo T/R: 3,8 segundos
Largura de banda: ~150 Hz
Sensibilidade: -12 / -13 dB
Comparação técnica
Em relação aos modos já consolidados, os números são diretos e fáceis de entender: o FT2 reduz drasticamente o tempo de QSO. Em termos práticos:
FT8: ciclo T/R de 15 s, tempo total de QSO ~60 s, sensibilidade até -21 dB.
FT4: ciclo T/R de 7,5 s, tempo total de QSO ~30 s, sensibilidade ~-17,5 dB.
FT2: ciclo T/R de 3,8 s, tempo total de QSO ~11 s, sensibilidade ~-12/-13 dB.
Isso se traduz em aproximadamente ~240 QSOs por hora no FT2, contra ~120 no FT4 e ~60 no FT8. A largura de banda do FT2 (~150 Hz) é maior que a dos predecessores, refletindo a escolha por velocidade sobre sensibilidade máxima.
Quando o FT2 brilha
- DXpeditions e pile-ups (fox/hound): ideal quando há muitos sinais fortes e você precisa maximizar contatos por hora.
- Concursos digitais: QSOs em ~11 segundos podem multiplicar a taxa de contatos em comparação ao FT8.
- Propagação aberta e VHF/UHF local: situações em que o sinal não é o limitador e a velocidade é a vantagem.
Quando não usar o FT2
O FT2 não foi projetado para todas as condições. Evite o modo quando:
Sinais estiverem abaixo de -14 dB (use FT8); em operações EME ou scatter; em propagação instável; ou em bandas muito estreitas onde sensibilidade é prioridade.
Primeiros QSOs do mundo
Os testes iniciais confirmaram a viabilidade do modo em HF. Três estações italianas realizaram QSOs com sucesso em 40m e 80m:
IZ8VYF – 40m – SNR -12 dB
IZ8XXE – 80m – SNR +11 dB
IC8TEM – 80m – SNR +12 dB
Todos os contatos foram completados, validando o conceito mesmo com variação de SNR entre os participantes.
Tecnologia por trás
O FT2 utiliza a arquitetura do WSJT-X como base e emprega um decoder proprietário chamado DECODIUM 2.0, desenvolvido por IU8LMC. Ferramentas de suporte de IA foram usadas no processo de desenvolvimento, servindo como auxílio técnico. O projeto incorpora contribuições conceituais do trabalho de Joe Taylor (K1JT) e Steve Franke (K9AN) na família WSJT.
Algumas métricas operacionais relevantes: capacidade de lidar com 3 a 5 sinais simultâneos em fox/hound, precisão de relógio exigida de ±50 ms e ~256 slots por minuto.
Sensibilidade versus velocidade
A troca entre sensibilidade e velocidade é a essência do FT2. Enquanto o FT8 permanece imbatível em condições de sinais fracos (<-20 dB), o FT2 oferece:
✔ throughput muito maior
✔ mais QSOs por hora
✔ desempenho superior em cenários de sinais fortes
Decidir entre FT2 e FT8 é escolher a estratégia: priorizar a taxa de contatos ou maximizar a recepção em condições fracas.
Made in Italy e próximos passos
O modo foi desenvolvido em San Prisco (CE), Itália, por IU8LMC (Martino) com suporte técnico e consultivo da ARI. Os testes iniciais em 40m e 80m e os resultados documentados mostram que o FT2 é funcional e replicável.
O que isso significa para você
Se você opera em pile-ups, concursos ou em bandas com sinais fortes, experimente o FT2: a velocidade pode transformar sua taxa de contatos. Se você costuma trabalhar DX fraco ou condições marginais, mantenha o FT8 como prioridade.
O FT2 não substitui modos anteriores; ele amplia as opções operacionais. Com a validação prática demonstrada em 16 de fevereiro de 2026, a era dos QSOs ultrarrápidos já começou e cabe a você testar onde essa velocidade faz sentido para seu estilo de operação.
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