Por que o rádio matinal público perde ouvintes: nostalgia do Brillion Iron Works Whistle Show, críticas a parcialidade e a busca por rádios-alarme com lâmpada emergência
O relato de um ouvinte evidencia perda de repertório musical, queixas sobre tom partidário nas notícias e a procura por alternativas como rádios via internet com alarme e luz de amanhecer
Um texto publicado em um blog amador por Steve K9ZW reflete a frustração de parte dos ouvintes que acordam ao som do rádio público e sentem perda de identidade na programação matinal. O autor lembra com saudade de programas locais como o conhecido Brillion Iron Works Whistle Show, transmitido pela estação local WCUB AM 980, e descreve uma transição para músicas menos familiares, boletins de notícias que considera partidários e previsões meteorológicas pouco úteis.
Nostalgia e memória local
No passado, trechos de programação local, como a peça que reproduzia o apito da fábrica Brillion Iron Works, tinham lugar garantido na rotina de quem vivia na região de Manitowoc, Wisconsin. Esse tipo de segmento funcionava como marcador social e cultural: anunciava turnos, celebrava identidades e mantinha um repertório musical reconhecível entre ouvintes. A demolição do complexo Brillion Iron Works, iniciada em dezembro de 2019, e o projeto de requalificação chamado BrillionWorks deixam em aberto se a tradição da transmissão do apito sobreviveu ao fechamento do parque fabril.
Críticas ao jornalismo matinal e ao tom editorial
O autor reclama que a programação moderna tem menos canções conhecidas e mais o que descreve como “urban virtue music”, além de boletins de notícias com tom exagerado e alinhamento político que, segundo ele, favorece a esquerda. Ele aponta práticas comuns percepcionadas como problemáticas: relatos sensacionalistas que dramatizam problemas, segmentos de “indignação do dia” que aprofundam divisões e campanhas de arrecadação que teriam mudado o discurso sobre financiamento público.
Segundo o relato, a instituição chegou a afirmar ser pouco dependente de recursos públicos, mas depois passou a enfatizar a necessidade de doações do contribuinte, o que para o autor configura incoerência ou duplicidade. Ele também destaca que, mesmo entre conhecidos de tendências políticas diversas, há quem classifique a emissora como extremamente partidária.
Previsões meteorológicas e serviço útil
Outra crítica recorrente no texto é a da utilidade prática: as previsões meteorológicas seriam vagas e pouco confiáveis — ponto que, na visão do autor, chega a tornar o almanaque do fazendeiro mais preciso do que o serviço atual. A perda de um serviço cotidiano claramente útil, como boletins locais objetivos e previsões de curto prazo, é percebida como sinal de enfraquecimento da função pública que muitas estações outrora desempenhavam.
Alternativas tecnológicas e o futuro do despertar
Diante da insatisfação, o autor avalia alternativas, como trocar o rádio por um despertador digital conectado à internet. Ele questiona se existem rádios-alarmes pela internet que também integrem lâmpada que simula o nascer do sol — uma solução buscada por quem quer manter o ritual do despertar com som e luz. A migração para plataformas online traz consigo vantagens (maior variedade musical, seletividade de conteúdo) e desafios (necessidade de conexão, fragmentação do público).
O relato de K9ZW termina com um tom de incerteza sobre o futuro do rádio público caso o financiamento estatal seja reduzido, e com uma observação sobre como mudanças na direção editorial podem afastar ouvintes que procuravam repertório local, previsões práticas e um tom menos militante.
Para gestores de estações e criadores de conteúdo, a mensagem é dupla: manter serviços úteis e locais e oferecer clareza editorial pode ajudar a preservar audiência; ao mesmo tempo, investir em alternativas tecnológicas — incluindo dispositivos que combinem alarme sonoro e lâmpada de amanhecer — é hoje caminho natural para reter ouvintes que buscam personalização na experiência de acordar.
O caso ilustra como a relação entre público e emissoras evolui com mudanças culturais, tecnológicas e econômicas, e reforça que memória local, utilidade cotidiana e transparência editorial continuam sendo fatores decisivos para a confiança do ouvinte.


