Mostra do Exército Brasileiro exibe equipamentos de comunicação de 1933 até os dias atuais, homenageia combatentes da Segunda Guerra e permite que visitantes transmitam mensagens pelo Rádio diretamente ao próprio celular
Por Carlos Rincon — PY2CER | Portal Antena Ativa
Uma exposição gratuita instalada no Galleria Campinas reúne, até o encerramento do evento, equipamentos de rádio históricos que cobrem quase nove décadas de evolução tecnológica, viaturas e acervo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e uma estação operacional de radioamador voltada para situações de emergência. A iniciativa é promovida pelo Exército Brasileiro em parceria com radioamadores e colecionadores, e está aberta ao público durante o horário de funcionamento do shopping, sem necessidade de inscrição.
O acervo técnico exposto traça a evolução dos equipamentos de comunicação sem fio ao longo de quase um século.
Os aparelhos mais antigos datam de 1933 e impressionam pelo tamanho e pela engenharia da época: gabinetes robustos, válvulas termiônicas e mostradores calibrados à mão. Na outra extremidade da linha do tempo, transceptores contemporâneos cabem no bolso e alcançam o mundo inteiro com poucos watts de potência.
Entre os dois extremos, a exposição passa pelos marcos mais relevantes da história do rádio: os modelos a válvula dos anos 1950 e 1960, os transistorizados que popularizaram o radioamadorismo nas décadas seguintes e as estações digitais dos anos 1990, que já apresentavam síntese de frequência e displays numéricos.
“Ver essa progressão reunida num só espaço é raro. Cada equipamento representa o que havia de mais avançado em seu tempo”, destaca Carlos Rincon, PY2CER, do Portal Antena Ativa, um dos colaboradores da mostra.
Um dos núcleos mais expressivos da exposição é dedicado aos meios de comunicação utilizados pela FEB durante a campanha na Itália, entre 1944 e 1945.
O Brasil foi o único país da América Latina a enviar tropas de combate à Segunda Guerra Mundial. Cerca de 25 mil soldados brasileiros lutaram ao lado dos Aliados nos Apeninos italianos, em batalhas como Monte Castelo, Soprassasso e Montese. Toda a coordenação tática dessas operações dependia de operadores de rádio treinados para transmitir e receber mensagens em código Morse sob condições extremas — frio intenso, fogo inimigo e equipamentos constantemente ameaçados.
A exposição apresenta réplicas funcionais e equipamentos originais do período, acompanhados de painéis explicativos sobre a cadeia de comunicação da FEB. O telégrafo e a chave Morse figuram como protagonistas desse capítulo: tecnologias que, embora centenárias, eram operadas com precisão cirúrgica por jovens recrutas para quem um erro de transmissão podia ter consequências irreversíveis.
A exposição não se limita à contemplação. Em uma das estações interativas, qualquer visitante pode operar uma chave telegráfica e enviar uma mensagem Rádio diretamente para o próprio WhatsApp.
O sistema, que utiliza o APRS , converte os texto em sinal de rádio transmitidos e os entrega em tempo real ao celular do participante. A atividade não exige conhecimento prévio: monitores voluntários estão presentes para orientar o público durante toda a operação.
A iniciativa aproxima gerações de forma concreta. Crianças que nunca haviam ouvido falar em radio saem da experiência com a mensagem no celular e com uma ideia muito mais vívida do que os soldados da FEB faziam nas montanhas da Itália há mais de 80 anos.
Entre os destaques técnicos da mostra está a estação de radioamador para operações em emergência, desenvolvida por Rubens, PY2VE.
O sistema é funcional e operacional não uma peça decorativa. Foi concebido para atuar exatamente nos momentos em que infraestruturas de comunicação convencionais colapsam: durante enchentes, desastres naturais ou falhas generalizadas de rede.
Com alimentação autônoma, antenas portáteis e transceptores de baixo consumo nas faixas HF, VHF e UHF, a estação pode manter contato com equipes de socorro e populações isoladas quando celulares, internet e linhas fixas já não respondem. Rubens PY2VE participou de simulados coordenados pela Defesa Civil e tem atuado na formação de novos operadores voluntários na região de Campinas.
“Num desastre, as primeiras horas são críticas. Nós podemos ser a única ligação entre quem precisa de ajuda e quem pode prestá-la”, afirmou o radioamador aos visitantes durante a abertura da exposição, segundo apuração do Portal Antena Ativa.
A exposição conta ainda com a operação da estação PR2FEB, indicativo especial concedido pelas autoridades brasileiras de telecomunicações em homenagem à Força Expedicionária Brasileira.
Durante o período da mostra, radioamadores voluntários operam a estação e estabelecem contatos — chamados de QSOs na linguagem técnica da área — com operadores de todo o Brasil e de outros países. Cada contato é registrado em log e contribui para difundir a história da FEB além das fronteiras do evento.
Estações com indicativos comemorativos são disputadas por entusiastas de DX, a modalidade do radioamadorismo voltada para comunicações de longa distância. O PR2FEB já recebeu chamadas de múltiplos estados brasileiros e de operadores internacionais desde o início da exposição.
A Exposição do Exército Brasileiro e Viaturas da FEB está instalada no Galleria Campinas e tem entrada gratuita. O acesso é livre durante o horário de funcionamento do shopping.
A estação interativa de código Morse com envio para WhatsApp opera em horários específicos — consulte a programação diretamente no local.
Mais informações sobre radioamadorismo, licenciamento e cursos preparatórios para o exame da ANATEL podem ser obtidas no site do LABRE Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão ou junto aos clubes de radioamadores ativos em Campinas e região.
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