Apostila de Estudo: Teoria de Antenas – Funcionamento Básico e Aplicações
Introdução
As antenas são componentes essenciais em todos os sistemas de telecomunicações, desde comunicações de radioamadorismo até transmissões de satélite, sistemas de telefonia móvel e transmissão de televisão[1][2]. Uma antena é uma estrutura que funciona como um transdutor eletromagnético, convertendo sinais de corrente alternada (CA) em um circuito em ondas eletromagnéticas de propagação livre (transmissão), e vice-versa (recepção)[1][2]. Esta apostila apresenta uma análise completa do funcionamento básico de antenas, seus parâmetros fundamentais, diversos tipos de antenas e suas aplicações práticas em radioamadorismo e telecomunicações[1][2].
1. Fundamentos das Antenas
1.1 O Que é uma Antena?
Uma antena é um dispositivo que irradia ou recebe ondas eletromagnéticas, normalmente na faixa de radiofrequência (RF), de aproximadamente 3 kHz a 300 GHz[1][2]. Ela é o elo de ligação entre o circuito eletrônico (que trabalha com correntes e tensões) e o espaço livre (onde viajam ondas eletromagnéticas)[1].
Funções principais:
- Na transmissão: Converte corrente alternada do transmissor em ondas eletromagnéticas que se propagam pelo espaço
- Na recepção: Intercepta ondas eletromagnéticas chegando e as converte em correntes alternadas que são levadas ao receptor[1][2]
1.2 Princípio Fundamental: Radiação Eletromagnética
O princípio fundamental por trás da operação de uma antena é a radiação eletromagnética gerada por corrente alternada (CA)[1].
Quando corrente alternada flui através de um elemento condutor (como um fio metálico ou uma vareta de cobre), ela cria:
- Um campo elétrico oscilante na mesma direção do condutor
- Um campo magnético oscilante perpendicular ao condutor
- Juntos, eles formam uma onda eletromagnética que se irradia da antena à velocidade da luz (c ≈ 3 × 10⁸ m/s)[1][2]
1.3 Transdutor Eletromagnético
As Equações de Maxwell mostram que campos elétricos e magnéticos variáveis podem se gerar mutuamente. Uma antena aproveita este fenômeno para converter energia elétrica em radiação eletromagnética e vice-versa[1].
Características:
- A antena é um dispositivo passivo – não amplifica sinais por si só
- O ganho de uma antena reflete apenas a concentração de energia em certas direções[1]
- Toda a energia transmitida (menos as perdas) é irradiada para o espaço
2. Ressonância e Comprimento de Onda
2.1 A Importância do Comprimento de Onda
Para que uma antena funcione de forma eficiente, é fundamental que seu comprimento corresponda ao comprimento de onda do sinal que está transmitindo ou recebendo[1][2]. Este é o princípio de ressonância.
A relação entre frequência (f), comprimento de onda (λ) e velocidade da luz (c) é:
=cf
Onde:
- λ = Comprimento de onda (m)
- c = Velocidade da luz ≈ 3 × 10⁸ m/s
- f = Frequência (Hz)
2.2 Comprimentos de Antena Típicos
Para operação eficiente, as antenas mais comuns têm comprimentos de:
- λ/2 (meia onda) – Antena dipolo clássica, mais comum
- λ/4 (quarto de onda) – Antena monopolo vertical
- 5λ/8 – Variação que oferece características especiais
- λ (onda completa) – Algumas aplicações especializadas[1]
2.3 Exemplos de Cálculo
Exemplo 1: Uma onda de rádio amador tem frequência de 7,1 MHz (banda de 40 metros). Qual é seu comprimento de onda?
=31087,110642,3 m
Uma antena dipolo para esta frequência teria comprimento aproximado de λ/2 ≈ 21 metros[1].
Exemplo 2: Para Wi-Fi na frequência de 2,4 GHz, qual é o comprimento de onda?
=31082,4109=0,125 m=12,5 cm
Uma antena dipolo para 2,4 GHz teria aproximadamente 6,25 cm de comprimento.
2.4 Se a Antena Não Tem o Comprimento Correto
Quando o comprimento da antena não corresponde adequadamente ao comprimento de onda:
- Antena muito curta (< λ/4): Irradiação pequena, impedância alta com componente reativa significativa
- Antena muito longa (>> λ/2): Padrão de radiação irregular com múltiplos lóbulos, impedância varia com frequência[1]
A operação eficiente requer que a antena tenha dimensões apropriadas à frequência de operação.
3. Diagrama de Radiação (Padrão de Radiação)
3.1 O Que é Diagrama de Radiação?
O diagrama de radiação (ou padrão de radiação) de uma antena é uma representação gráfica que mostra como a antena irradia energia em diferentes direções[1][2].
Ele pode ser visualizado como uma “bola” de energia ao redor da antena, onde a distância do centro até cada ponto da superfície representa a intensidade de radiação naquela direção[1].
3.2 Componentes do Diagrama
Lóbulo Principal (Main Lobe):
A região onde a antena irradia com máxima intensidade. É a direção preferencial de radiação[1].
Lóbulos Secundários (Side Lobes):
Regiões onde a antena irradia com intensidade menor. Geralmente são indesejáveis em aplicações de comunicação ponto-a-ponto[1].
Nulo (Null):
Direção onde a antena praticamente não irradia. Útil para rejeição de interferências[1].
3.3 Diretividade
A diretividade de uma antena descreve como ela concentra sua radiação:
- Antena omnidirecional: Irradia aproximadamente igualmente em todas as direções horizontais. Exemplo: dipolo horizontal
- Antena direcional: Irradia preferencialmente em uma ou mais direções. Exemplo: antena Yagi[1][2]
Uma antena muito direcional:
- Tem lóbulo principal estreito e lóbulos secundários pequenos
- Oferece maior ganho na direção principal
- Rejeita melhor sinais laterais e de interferência[1]
3.4 Largura de Feixe
A largura de feixe (ou abertura angular) é o ângulo entre os dois pontos onde a potência radiada cai para 50% (ou -3 dB) do valor máximo no lóbulo principal[1].
- Antenas diretivas: Largura de feixe pequena (tipicamente 20-40°)
- Antenas omnidirecionais: Largura de feixe grande (tipicamente 360°)[1]
4. Ganho de Antena
4.1 O Que é Ganho?
O ganho de uma antena é uma medida de como bem ela concentra energia em uma direção particular, em comparação com uma antena de referência[1][2].
O ganho não significa amplificação – a antena não cria energia, apenas a direciona. Um ganho de 3 dB significa que a antena concentra a energia em uma região menor, resultando em maior intensidade naquela direção[1].
4.2 Antena Isotrópica (Referência)
Uma antena isotrópica é uma antena teórica (não realizável) que irradia igualmente em todas as direções no espaço 3D[1][2].
O ganho é frequentemente expresso em dBi (decibels over isotropic):
Ganho (dBi)=10log10G1
Onde G é o ganho em relação ao isotrópico[1].
4.3 Antena Dipolo como Referência
O dipolo de meia onda é frequentemente usado como antena de referência porque é simples e comum. O ganho relativo ao dipolo é expresso em dBd (decibels over dipole)[1].
A relação entre as duas referências é:
dBi=dBd+2,15
Exemplos de ganhos práticos:
- Antena dipolo de meia onda: 2,15 dBi (ou 0 dBd – referência)
- Antena Yagi de 3 elementos: ~8 dBd
- Antena Yagi de 10 elementos: ~12 dBd
- Antena parabólica: 20-30 dBi[1][2]
4.4 Exemplo de Cálculo de Ganho
Exemplo 3: Uma antena Yagi tem ganho de 9 dBd. Qual é seu ganho em dBi?
Ganho (dBi)=9+2,15=11,15 dBi
5. Impedância e Adaptação de Impedância
5.1 O Que é Impedância de Antena?
Toda antena tem uma impedância característica nos seus terminais, que é uma combinação de:
Za=Rr+jXa
Onde:
- Rr = Resistência de radiação (a parte que irradia energia)
- jXa = Componente reativa (energia armazenada que não é irradiada)[1]
5.2 Resistência de Radiação
A resistência de radiação é a resistência equivalente que dissiparia a mesma potência que a antena irradia[1]. Não é uma resistência real, mas representa a eficiência da antena em converter energia elétrica em ondas eletromagnéticas.
Para alguns tipos comuns:
- Dipolo de λ/2: ~73 Ω resistivos (+ pequena reatividade)
- Monopolo de λ/4: ~36 Ω resistivos
- Loop de λ/2: ~100 Ω (impedância alta)[1]
5.3 Casamento de Impedância
Para transferência eficiente de potência do transmissor para a antena (ou da antena para o receptor), é essencial que:
Zcable=Zantena
Onde o “*” indica o conjugado complexo[1].
Quando há descasamento:
- Parte da energia é refletida de volta para o transmissor
- Ocorrem “ondas estacionárias” no cabo
- Aumenta-se a Razão de Onda Estacionária (ROE)[1]
5.4 Razão de Onda Estacionária (ROE)
A ROE (também chamada SWR em inglês) mede o descasamento entre antena e cabo[1]:
ROE=ZmaiorZmenor
Onde o maior valor é sempre colocado no numerador[1].
Interpretação:
- ROE = 1:1 – Perfeito casamento, toda energia é transmitida
- ROE = 1,5:1 – Muito bom, ~4% de perda
- ROE = 3:1 – Aceitável, ~25% de perda
- ROE > 5:1 – Pobre, grande perda[1]
Exemplo: Uma antena de 80 Ω conectada a um cabo de 50 Ω:
ROE=8050=1,6:1
6. Tipos de Antenas e Aplicações
6.1 Antena Dipolo (Dipole)
Descrição:
A antena dipolo é o tipo mais comum. Consiste em dois elementos condutores (varetas) de comprimento total aproximadamente λ/2, alimentados no centro[1][2].
Características:
- Comprimento típico: λ/2
- Impedância: ~73 Ω (na frequência de ressonância)
- Padrão de radiação: Lóbulo em forma de rosca (toroid), máximo no plano perpendicular à antena
- Polarização: Linear (no mesmo plano que o condutor)
- Ganho: 0 dBd (referência) ou ~2,15 dBi[1][2]
- Largura de feixe: ~78° horizontal
Aplicações:
- Rádio amador em HF (bandas de 80m, 40m, 20m, etc.)
- Transmissão de TV analógica
- Radioescuta[1][2]
Vantagens:
- Simples de construir e sintonizar
- Barato
- Bom padrão de radiação
- Impedância relativamente fácil de casar
Desvantagens:
- Baixo ganho comparado a antenas direcionais
- Pouca capacidade de rejeitar interferências laterais
6.2 Antena Monopolo (Monopole)
Descrição:
Um monopolo é basicamente “meia” antena dipolo, montada verticalmente sobre um plano terra (superfície condutora)[1][2]. O plano terra atua como “espelho” eletromagnético, refletindo o campo da metade ausente.
Características:
- Comprimento típico: λ/4
- Impedância: ~36 Ω (na frequência de ressonância)
- Padrão de radiação: Omnidirecional no plano horizontal, máximo em ângulos baixos (útil para DX)
- Ganho: Ligeiramente maior que o dipolo em ângulos baixos[1][2]
- Polarização: Linear vertical
Aplicações:
- Rádio móvel (carro, portátil)
- Repetidoras
- Torres de transmissão
- Antenas de AM (ondas médias)[1][2]
Vantagens:
- Comprimento reduzido (metade do dipolo)
- Excelente radiação em ângulos baixos (DX)
- Fácil instalação em estruturas existentes
Desvantagens:
- Requer plano terra eficiente
- Pior recepção de sinais altos (satélites)
6.3 Antena Yagi-Uda (Yagi)
Descrição:
Uma antena Yagi é um arranjo direcional composto por[1][2]:
- Um elemento acionado (dipolo) – conectado ao transmissor/receptor
- Um refletor – elemento parasita atrás do dipolo
- Um ou mais diretores – elementos parasitas à frente do dipolo
Os elementos parasitas (refletor e diretores) não são alimentados eletricamente, mas são acoplados ao elemento acionado através do campo magnético[1].
Características:
- Ganho: 3-15 dB comparado ao dipolo (depende do número de elementos)
- Padrão de radiação: Altamente direcional, com lóbulo principal estreito
- Largura de feixe: 20-40° (típico)
- Impedância: ~50 Ω com número apropriado de elementos
- Número de elementos: Tipicamente 3-20[1][2]
Operação dos elementos parasitas:
- Refletor: Ligeiramente mais longo que o elemento acionado, reflete energia para aumentar ganho
- Diretores: Ligeiramente mais curtos que o elemento acionado, focam o feixe para frente[1]
Aplicações:
- Comunicações ponto-a-ponto HF/VHF/UHF
- Radioamadorismo (DX, VHF)
- Recepção de TV (antenas convencionais de telhado)
- Telemetria[1][2]
Vantagens:
- Alto ganho
- Padrão de radiação direcional acentuado
- Impedância apropriada para cabo de 50 Ω
- Boa rejeição de sinais laterais e de interferência
Desvantagens:
- Banda de frequência estreita (projetada para frequência específica)
- Mais complexa de construir e sintonizar
- Maior tamanho para aplicações de frequência mais baixa
Exemplo: Uma Yagi de 3 elementos para a banda de 40 m (7,1 MHz) teria comprimento total aproximadamente 21 metros.
6.4 Antena Log-Periódica
Descrição:
Uma antena log-periódica consiste em múltiplos elementos dipolos de comprimentos variáveis, dispostos em um padrão logarítmico[1][2]. Diferentemente da Yagi, ela é projetada para funcionar em uma banda ampla de frequências.
Características:
- Banda de frequência: Pode cobrir uma oitava (2:1) ou mais[1]
- Ganho: 6-10 dBi (variável na banda)
- Padrão de radiação: Direcional e consistente ao longo da banda
- Impedância: 200-800 Ω (dependendo do projeto)
- Largura de feixe: ~40-50°[1]
Operação:
O nome “log-periódica” vem do fato de que as propriedades se repetem logaritmicamente com a frequência. Em qualquer frequência, alguns elementos atuam como refletores e outros como diretores, dependendo da frequência[1][2].
Aplicações:
- Recepção de TV em banda ampla
- Radioescuta em banda ampla
- Laboratórios de medição
- Transmissão e recepção em múltiplas bandas[1][2]
Vantagens:
- Banda de frequência muito ampla
- Ganho consistente ao longo da banda
- Padrão de radiação consistente
Desvantagens:
- Mais complexa que Yagi
- Maior tamanho físico
- Impedância alta requer casador de impedância
6.5 Antena Helicoidal (Helical)
Descrição:
Uma antena helicoidal consiste em um ou mais condutores em forma de hélice (espiral), geralmente montados em frente a um refletor parabólico ou planar[1][2].
Características:
- Padrão de radiação: Pode ser omnidirecional ou direcional, dependendo do modo de operação
- Modo normal: Omnidirecional, polarização linear
- Modo axial: Direcional com ganho alto, polarização circular[1][2]
- Impedância: 50-140 Ω (dependendo do design)
- Ganho: 3-20 dBi
Aplicações:
- Comunicações por satélite (ganho alto, polarização circular)
- Radioescuta
- Aplicações de UHF/micro-ondas[1][2]
Vantagens:
- Polarização circular (bom para satélites)
- Ganho elevado possível
- Padrão de radiação consistente
Desvantagens:
- Mais complexa de construir
- Dimensões maiores para frequências mais baixas
6.6 Antena Loop (Laço)
Descrição:
Uma antena loop consiste em um ou mais loops (laços) de condutor. O loop tem forma circular, quadrada ou outra forma[1].
Características:
- Impedância: 50-300 Ω (dependendo da forma e tamanho)
- Padrão de radiação: Omnidirecional ou bidirecional (depende da forma)
- Ganho: Baixo para pequenos loops, moderado para loops maiores
- Polarização: Linear horizontal ou vertical[1]
Small Loop (loop pequeno < λ/2):
- Impedância muito alta
- Campo forte na direção perpendicular ao plano do loop
- Padrão bidirecional (dois lóbulos opostos)
- Útil para radioescuta seletiva[1]
Full-Wave Loop (loop de onda completa = λ):
- Ganho maior
- Mais direcional
- Padrão com múltiplos lóbulos
- Melhor para DX[1]
Aplicações:
- Radioescuta e direcionamento
- Aplicações AM
- Recepção de baixa frequência (LF/MF)
- Medição de campos eletromagnéticos
6.7 Antena de Microfita (Patch)
Descrição:
Uma antena patch consiste em um condutor retangular (patch) montado sobre um substrato dielétrico, com um plano terra metálico por trás[1][2].
Características:
- Tamanho: Compacta, comprimento típico λ/2
- Impedância: ~50 Ω
- Padrão de radiação: Direcional, máximo perpendicular ao plano
- Polarização: Linear[1][2]
- Ganho: 5-10 dBi
- Banda de frequência: Estreita (~2-10% da frequência central)
Aplicações:
- Telefonia móvel (GSM, 3G, 4G, 5G)
- GPS
- Wi-Fi e comunicações sem fio
- Sistemas de satélite[1][2]
Vantagens:
- Muito compacta
- Fácil de fabricar em série (circuito impresso)
- Fácil de integrar em arranjos
Desvantagens:
- Banda estreita
- Ganho moderado
- Requer circuitos de casamento de impedância
6.8 Antena Helicoidal vs Parabólica
Antena Parabólica:
Um refletor parabólico com um alimentador no foco[1][2]:
- Altíssimo ganho (20-50 dBi)
- Padrão de radiação muito estreito
- Usada em aplicações onde o ganho é crítico (satélite, microondas)
7. Polarização de Antenas
7.1 O Que é Polarização?
A polarização de uma onda eletromagnética descreve a orientação do vetor campo elétrico[1][2].
7.2 Tipos de Polarização
Polarização Linear:
O campo elétrico oscila em um único plano fixo[1][2]:
- Horizontal: Campo E paralelo ao solo
- Vertical: Campo E perpendicular ao solo
- Mais comum em aplicações de rádio terrestre
Polarização Circular:
O vetor campo elétrico rotaciona continuamente, traçando um círculo[1]:
- Circular à direita (RHCP): Rotaciona no sentido horário (visto pela fonte)
- Circular à esquerda (LHCP): Rotaciona no sentido anti-horário
Polarização Elíptica:
Caso geral onde o campo traça uma elipse[1].
7.3 Casamento de Polarização
Para recepção eficiente, a polarização da antena receptora deve corresponder à da onda transmitida[1][2]:
- Uma antena com polarização vertical não recebe bem sinais de polarização horizontal
- A perda pode chegar a 20 dB ou mais se as polarizações forem perpendiculares[1]
Exemplo: Uma antena monopolo vertical (polarização vertical) na banda VHF receberá mal sinais de uma antena dipolo horizontal (polarização horizontal).
8. Exercícios Propostos
Exercício 1: Cálculo de Comprimento de Onda
Uma onda de rádio amador tem frequência de 14,2 MHz (banda de 20 metros). Qual é seu comprimento de onda?
Exercício 2: Dimensionamento de Antena Dipolo
Um radioamador deseja construir uma antena dipolo para 21,2 MHz (banda de 15 metros). Qual deve ser o comprimento total aproximado?
Exercício 3: Conversão de Ganho
Uma antena tem ganho de 7 dBd. Qual é seu ganho em dBi? (Dica: use dBi = dBd + 2,15)
Exercício 4: Cálculo de ROE
Uma antena de 75 Ω está conectada a um cabo de 50 Ω. Qual é a ROE resultante?
Exercício 5: Identificação de Tipo de Antena
Um radioamador tem uma antena com padrão de radiação omnidirecional, comprimento λ/4, instalada verticalmente. Que tipo de antena é provavelmente?
Exercício 6: Seleção para Aplicação
Você precisa de uma antena com alto ganho, banda estreita, para comunicações ponto-a-ponto em VHF. Qual tipo de antena seria mais apropriado: dipolo, Yagi ou log-periódica?
Exercício 7: Polarização
Uma antena transmissora dipolo horizontal transmite para uma antena receptora monopolo vertical. Haverá perda de sinal por mismatch de polarização? Por quê?
Exercício 8: Largura de Feixe
Uma antena tem ganho de 12 dBd. É provável que tenha uma largura de feixe estreita ou larga? Explique.
Exercício 9: Comprimento de Antena para Frequência
Para uma frequência de 145 MHz (banda VHF 2 metros), qual seria o comprimento aproximado de uma antena monopolo λ/4?
Exercício 10: Análise de Antena Yagi
Uma antena Yagi tem 5 elementos. O primeiro (refletor) tem comprimento 3,5 m, o segundo (acionado) tem 3,3 m. Qual é aproximadamente a frequência de operação?
9. Gabarito dos Exercícios
Exercício 1: Cálculo de Comprimento de Onda
=cf=310814,2106=21,1 m
Exercício 2: Dimensionamento de Antena Dipolo
Para λ/2:
=310821,2106=14,15 m
Ldipolo=2=14,1527,1 m
Exercício 3: Conversão de Ganho
dBi=7+2,15=9,15 dBi
Exercício 4: Cálculo de ROE
ROE=7550=1,5:1
Exercício 5: Identificação de Tipo de Antena
Monopolo vertical – tem comprimento λ/4, omnidirecional no plano horizontal, instalado verticalmente.
Exercício 6: Seleção para Aplicação
Antena Yagi – oferece alto ganho, padrão estreito, banda estreita apropriada para ponto-a-ponto em VHF.
Exercício 7: Polarização
Sim, haverá perda significativa. A dipolo horizontal tem polarização horizontal, enquanto o monopolo vertical tem polarização vertical. O mismatch de polarização (perpendicular) resultará em perda próxima a 20 dB ou mais.
Exercício 8: Largura de Feixe
Provável largura de feixe estreita. Ganho alto indica que a energia está concentrada em uma área menor, resultando em largura de feixe estreita.
Exercício 9: Comprimento de Antena para Frequência
=3108145106=2,07 m
Lmonopolo=4=2,0740,52 m=52 cm
Exercício 10: Análise de Antena Yagi
O elemento acionado tipicamente tem comprimento próximo a λ/2. Se tem 3,3 m:
=23,3=6,6 m
f=c=31086,645,5 MHz
Isto está próximo da banda de 6 metros do radioamadorismo (50-54 MHz).
10. Tabela Resumida de Tipos de Antenas
| Tipo | Comprimento | Ganho | Padrão | Impedância |
| Dipolo | λ/2 | 0 dBd | Omnidirecional | 73 Ω |
| Monopolo | λ/4 | 0-2 dBd | Omnidirecional | 36 Ω |
| Yagi (3 elem) | ~λ/2 | 8 dBd | Direcional | 50 Ω |
| Yagi (10 elem) | ~2λ | 12 dBd | Muito direcional | 50 Ω |
| Log-Periódica | ~1-2 m | 6-10 dBi | Direcional | 200-800 Ω |
| Helicoidal | ~0,3λ | 3-20 dBi | Variável | 50-140 Ω |
| Loop pequeno | < λ/2 | Baixo | Bidirecional | 100+ Ω |
| Loop onda completa | λ | Moderado | Direcional | 50-100 Ω |
| Patch | ~λ/2 | 5-10 dBi | Direcional | 50 Ω |
| Parabólica | ~0,5-3 m | 20-50 dBi | Muito direcional | 50 Ω |
Table 1: Resumo de características de tipos comuns de antenas
11. Tabela de Fórmulas Fundamentais
| Fórmula | Descrição |
| =c/f | Comprimento de onda |
| ROE=Zmaior/Zmenor | Razão de onda estacionária |
| dBi=dBd+2,15 | Conversão de ganho |
| Ganho (dB)=10log10(G) | Ganho em decibels |
| c=3108 m/s | Velocidade da luz |
Table 2: Fórmulas fundamentais de teoria de antenas
Conclusão
As antenas são componentes fundamentais e absolutamente críticos em qualquer sistema de comunicação sem fio. O entendimento de seus princípios básicos – ressonância com comprimento de onda, impedância, ganho, padrão de radiação, polarização e tipos disponíveis – é essencial para qualquer pessoa envolvida em radioamadorismo, telecomunicações ou engenharia de RF.
Para radioamadores, a seleção apropriada do tipo de antena é crucial para o sucesso das comunicações. Uma antena Yagi pode ser a diferença entre fazer um contato DX longo alcance ou não. Uma log-periódica oferece flexibilidade para múltiplas bandas. Um monopolo vertical oferece omnidirecionalidade para recepção local.
A capacidade de calcular dimensões apropriadas, entender impedância, casamento e ROE, e selecionar o tipo correto para a aplicação separará um operador eficiente de um amador ocasional.
Referências
[1] WaveLink Tech. Como Funcionam as Antenas: A Física por Trás da Comunicação Sem Fio. Disponível em: https://www.wavelink-tech.com/pt/how-do-antennas-work-the-physics-behind-wireless-communication/
[2] Newton CBraga. Curso de Eletrônica – Ondas Eletromagnéticas. Disponível em: https://www.newtoncbraga.com.br/eletronica-basica/13684-cbe009.html
[3] Rancho da Amizade. Antenas Para Radioamadorismo, Radioescuta e Faixa do Cidadão. Disponível em: https://www.ranchodaamizade.com.br/manuais/book13.pdf
[4] IFSC. ANT – Antenas e Propagação. Disponível em: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/d/d4/5_1IFSC_Engenharia_ANT_2016_1.pdf
[5] FCC de Castro. Capítulo VII – Outros Tipos de Antenas. Disponível em: http://fccdecastro.com.br/pdf/A_C7.pdf
[6] Embarcados. Desbloqueando a Comunicação Sem Fio: A Magia das Antenas. Disponível em: https://embarcados.com.br/desbloqueando-a-comunicacao-sem-fio-a-magia-das-antenas/
[7] Wikipedia. Antena. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Antena
[8] Teleco. Antenas. Disponível em: https://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialredeswifi1/pagina_3.asp
[9] RadioPoint. Teoria de Antenas. Disponível em: https://www.radiopoint.com.br/teoriaantenas.htm
[10] Sites Google. Ganho de Antenas. Disponível em: https://sites.google.com/site/antenaspy5aal/home/ganho-de-antenas

