Explosões solares X2.4 e X2.5 em 23 de abril: o que mudam na ionosfera, nas regiões ativas 4419/4420 e nas previsões da ARRL
Após semanas de atividade baixa, ARRL e observatórios registram surtos eruptivos — radioamadores devem se preparar para variações na propagação HF e impacto geomagnético temporário
Relatórios recentes da ARRL (The National Association for Amateur Radio) e observatórios solares apontam para uma mudança abrupta no comportamento do Sol após um período prolongado de baixa atividade. Durante a maior parte da última semana a atividade solar foi classificada como baixa, com vários flares de classe C originados sobretudo da Região Ativa (RA) 4420. No entanto, no dia 23 de abril surgiram explosões significativas associadas à RA 4419, entre elas duas de classe X reportadas por serviços de monitoramento solar.
Resumo da atividade observada pela ARRL
No boletim “Solar Update” a ARRL documentou crescimento da Região 4420 e decadência parcial da Região 4419, que ainda assim foi a responsável por boa parte da atividade da semana. Ao longo do período a ARRL registrou sete flares de classe C, sendo que RA 4419 gerou cinco desses eventos, incluindo um C4.1. As demais ocorrências incluíram um C1.1 (RA 4414) e um C1.6 (RA 4416). A RA 4422 foi numerada mas permaneceu inativa.
Coronógrafos detectaram algumas ejeções de massa coronal (CMEs) e erupções de filamento, porém nenhuma com componente dirigida à Terra foi identificada nas imagens disponíveis durante a semana coberta pelo boletim.
Explosões X e relatos de observatórios
Contrapondo o quadro geral de baixa atividade, o site Spaceweather.com relatou que, em 23 de abril, a mancha solar 4419 produziu duas explosões X — X2.4 às 01:07 UTC e X2.5 às 08:13 UTC. Esses eventos X são significativamente mais potentes que os flares de classe C e podem causar efeitos mais intensos na ionosfera e no ambiente espacial próximo da Terra, dependendo da direção e configuração magnética das ejeções associadas.
Embora as imagens coronográficas não tenham mostrado CMEs claramente direcionadas à Terra naquele intervalo, a ocorrência de flares X e rápidas reconfigurações magnéticas localmente aumentam o potencial para eventos geoefetivos nas horas ou dias seguintes, especialmente se houver associações com emissões de partículas e alterações no vento solar.
Condições do vento solar e impacto na propagação
A ARRL registrou queda gradual da influência de uma corrente de alta velocidade originada por buracos coronais (CH HSS). Ainda assim, o vento solar manteve velocidades médias elevadas, em torno de 525 km/s, com o ângulo Phi predominantemente negativo em direção ao Sol. Observadores notaram também aumento da atividade geomagnética entre 18 e 21 de abril, o que já vinha prejudicando a melhora sazonal esperada nas condições de propagação em HF.
Segundo o comentário semanal de F. K. Janda (OK1HH), apesar de um primeiro quadrimestre globalmente mais calmo que o pico imediato do ciclo, o padrão tem sido de longos períodos de calma intercalados com surtos eruptivos repentinos. Esses surtos provocam variações irregulares nas condições de propagação de ondas curtas e maior atenuação em altas latitudes durante pulsos intensos do vento solar.
Previsões e recomendações para radioamadores
A ARRL incluiu previsões numéricas para os próximos dias: o índice Planetário A previsto para 25 de abril a 1º de maio é 8, 5, 5, 5, 20, 18 e 12 (média 10,4) e o índice K previsto é 3, 2, 2, 2, 5, 5 e 4 (média 3,3). O fluxo solar em 10,7 cm foi estimado na faixa de 115 a 125, com média prevista de 122,9. Esses números sugerem períodos curtos de maior atividade geomagnética no fim de abril, com impacto variável na propagação.
Para radioamadores e operadores de HF, as recomendações práticas incluem:
- Monitorar atualizações da ARRL, SpaceWeather e centros de previsão espacial para identificar eventuais CMEs dirigidas à Terra.
- Aguardar variações rápidas na propagação — bandas mais altas podem melhorar temporariamente após surtos, enquanto latitudes altas podem sofrer forte atenuação.
- Estar atento a possíveis rádio-negros (RBI) locais e a aumentos de ruído de radiofrequência durante eventos de partículas energéticas.
- Adaptar planos de operação e concursos a curto prazo conforme os índices K e A forem atualizados.
Em resumo, a semana começou com predominância de atividade baixa, marcada por flares de classe C e ausência de CMEs geoefetivas, mas teve uma reviravolta com surtos X notificados por observatórios no dia 23 de abril. A combinação de vento solar ainda elevado, surtos eruptivos e emergência de novas regiões ativas torna os próximos dias de atenção para a comunidade de radioamadores e para quem monitora condições espaciais.
Para informações detalhadas sobre propagação e explicações dos números usados nos boletins, a ARRL recomenda consultar suas páginas técnicas e recursos de propagação. Operadores devem acompanhar previsões atualizadas para ajustar operações conforme a situação evolui.



