O radioamadorismo se fortalece quando conhecimento, equipamentos e experiências são compartilhados. Esse é o objetivo do ERFCC — Encontro de Radioamador e Faixa do Cidadão de Campinas, uma reunião aberta aos apaixonados por radiocomunicação, experimentação técnica, antenas e eletrônica.
Realizado todos os domingos em Campinas, o encontro tornou-se um espaço para conversar, apresentar projetos, esclarecer dúvidas e realizar testes em condições reais. Radioamadores, operadores da Faixa do Cidadão, técnicos, montadores de antenas e pessoas interessadas em conhecer esse universo podem acompanhar demonstrações e trocar informações diretamente com outros praticantes.
Em uma das atividades realizadas durante o encontro, instalamos e testamos duas antenas com propostas bastante diferentes: a Comrod AH-52 HF/VHF, uma antena militar de banda larga, e uma Flower Pot preparada para as faixas de 10 e 11 metros.
Teste da antena Comrod AH-52 HF/VHF
Um dos principais destaques do encontro foi a instalação da Comrod AH-52, uma antena pouco comum entre radioamadores brasileiros e desenvolvida para operações que exigem mobilidade, resistência e rápida mudança de frequência.
A AH-52 é um dipolo de fio para HF e VHF formado por dois braços de aproximadamente 25 metros. De acordo com a documentação da fabricante, sua cobertura nominal vai de 2 a 88 MHz, com impedância de 50 ohms e capacidade de até 100 watts PEP. O conjunto utiliza cargas distribuídas nos elementos para proporcionar características de banda larga.
Esse projeto permite trabalhar com uma faixa extensa de frequências sem a necessidade de alterar fisicamente o comprimento dos elementos a cada mudança de banda. Evidentemente, o desempenho, a eficiência e a relação de ondas estacionárias podem variar de acordo com a frequência utilizada, a altura da instalação, o formato adotado e as condições do terreno.
Durante o ERFCC, a antena foi montada para que os participantes pudessem observar sua construção, o sistema de alimentação, o comprimento dos elementos e as possibilidades de utilização em operações portáteis ou emergenciais.
A configuração original é semelhante a um dipolo em V invertido. A documentação recomenda elevar a seção central a aproximadamente sete metros, deixando os braços inclinados em direção ao solo e fixados por meio das linhas de sustentação. Todo o conjunto foi projetado para ser transportado e instalado com relativa rapidez.
Mais do que simplesmente colocar a antena no ar, o objetivo do teste foi compreender seu comportamento prático. Foram observados fatores como:
- Facilidade de montagem e desmontagem;
- Espaço necessário para a instalação;
- Comportamento nas diferentes frequências;
- Relação de ondas estacionárias;
- Nível de ruído recebido;
- Possibilidades de uso em campo;
- Comparação com antenas convencionais.
Uma antena com 50 metros de extensão total chama imediatamente a atenção. Por isso, a experiência também permitiu discutir as dificuldades encontradas em ambientes urbanos, nos quais nem sempre existe espaço suficiente para estender completamente os dois elementos.
Flower Pot para as faixas de 10 e 11 metros
Outra experiência realizada no encontro foi a instalação de uma antena Flower Pot para 10 e 11 metros.
A Flower Pot é conhecida principalmente entre os praticantes de projetos artesanais por utilizar uma construção relativamente simples. Dependendo do projeto, boa parte da antena pode ser produzida com cabo coaxial, formando o elemento irradiante e o sistema de desacoplamento.
No ERFCC, a proposta foi avaliar uma versão preparada para operar nas frequências utilizadas por radioamadores na faixa dos 10 metros e por operadores da Faixa do Cidadão nos 11 metros.
A instalação proporcionou uma ótima oportunidade para discutir pontos importantes de qualquer projeto de antena, como comprimento elétrico, fator de velocidade do cabo, posição do choque de RF, altura em relação ao solo e influência de estruturas metálicas próximas.
Projetos artesanais como esse mostram que o radioamadorismo não depende apenas de equipamentos comerciais. Com estudo, instrumentos adequados e atenção às medidas, é possível construir antenas funcionais e aprender muito durante o processo.
Um encontro dedicado à experimentação
Os testes realizados com a Comrod AH-52 e com a Flower Pot representam bem a proposta do ERFCC Campinas.
O encontro não é apenas uma reunião para conversar sobre rádios. Ele funciona como um ambiente de experimentação, no qual uma ideia pode sair do papel, ser montada, medida e analisada coletivamente.
Muitas dúvidas são resolvidas com mais facilidade quando os participantes podem visualizar uma instalação real. Temas como aterramento, ROE, perda em cabos coaxiais, conectores, propagação, interferência e posicionamento de antenas deixam de ser apenas conceitos teóricos.
Quem já possui experiência pode compartilhar conhecimento. Quem está começando encontra a oportunidade de acompanhar os testes e aprender sem precisar enfrentar sozinho todas as dificuldades iniciais.
Radioamadorismo e Faixa do Cidadão no mesmo espaço
Outro diferencial do ERFCC é a integração entre radioamadores e operadores da Faixa do Cidadão.
Embora existam diferenças entre os serviços, todos compartilham o interesse pela radiocomunicação. Antenas, propagação, manutenção de equipamentos, fontes de alimentação, cabos e técnicas operacionais são assuntos presentes nos dois grupos.
Essa aproximação contribui para preservar a cultura do rádio, incentivar boas práticas operacionais e despertar o interesse de novos participantes.
Além dos testes técnicos, o encontro também é um momento de amizade, confraternização e troca de equipamentos. É comum aparecerem rádios antigos, instrumentos de medição, antenas experimentais, componentes eletrônicos e projetos desenvolvidos pelos próprios participantes.
Participe do ERFCC Campinas
O ERFCC — Encontro de Radioamador e Faixa do Cidadão de Campinas acontece todos os domingos e está aberto às pessoas interessadas em rádio, antenas, eletrônica e comunicação.
Não é necessário possuir uma estação completa para participar. O encontro também recebe iniciantes que desejam conhecer a atividade, entender como funciona o radioamadorismo ou obter informações sobre equipamentos e antenas.
Cada domingo pode trazer uma nova experiência: instalação de antenas, análise com instrumentos, comparação de equipamentos, testes de comunicação e apresentação de projetos.
A experiência com a Comrod AH-52 HF/VHF e com a Flower Pot para 10 e 11 metros demonstrou novamente a importância desses encontros presenciais. Mais do que medir uma antena, o ERFCC permite reunir pessoas, compartilhar conhecimento e manter viva a experimentação que sempre fez parte do radioamadorismo.


