Entenda frequências, modo Robot 36, preparação de estação e boas práticas para captar transmissões SSTV da Estação Espacial Internacional.
Para receber a SSTV da ISS, sintonize 437,550 MHz em FM durante uma passagem da estação sobre a sua cidade e decodifique o áudio no modo Robot 36 com um aplicativo como o Robot36 (Android) ou o MMSSTV (Windows). A Série 35 da ARISS está programada de 9 a 16 de novembro de 2026, com o tema “Space Memories”. Um HT com UHF já basta para começar; uma antena direcional melhora bastante a imagem.
Receber imagens SSTV transmitidas pela Estação Espacial Internacional é uma das atividades mais acessíveis e educativas do radioamadorismo via satélite. Com um receptor em UHF, uma antena adequada e um aplicativo decodificador, é possível transformar áudio de rádio em imagens.
Para iniciantes, a SSTV da ISS funciona como porta de entrada para operação via satélite, rastreamento orbital, efeito Doppler, operação em VHF e UHF e disciplina de escuta. Para operadores intermediários, é uma boa oportunidade de comparar antenas, gravadores, softwares e previsões de passagem.
Segundo a ARISS, em comunicado divulgado pela Amateur Radio Daily em 6 de novembro de 2026, a Série 35 de SSTV da ISS foi programada de 9 a 16 de novembro, em 437.550 MHz, modo Robot 36, com o tema “Space Memories”, dedicado à história do ônibus espacial. Abaixo, o foco é entender como esse tipo de recepção funciona e como se preparar para eventos semelhantes.
O que é SSTV e por que a ISS transmite imagens
SSTV significa Slow Scan Television, ou televisão de varredura lenta. Em vez de transmitir vídeo em tempo real, o sistema envia uma imagem estática convertida em tons de áudio, que depois são reconstruídos por software ou aplicativo.
No contexto da ARISS, sigla de Amateur Radio on the International Space Station, essas transmissões têm forte valor educativo. Elas aproximam escolas, radioamadores e curiosos da operação espacial usando equipamentos relativamente simples.
Eventos temáticos, como a série “Space Memories”, costumam celebrar missões, astronautas, marcos da exploração espacial ou atividades educacionais. A fonte original informa o tema e os parâmetros técnicos, mas não detalha a lista completa de imagens nem a ordem de transmissão.
Para quem está no Brasil, a recepção depende das passagens visíveis da ISS sobre a sua localidade. A estação orbita a Terra em alta velocidade, então cada oportunidade de recepção costuma durar poucos minutos, exigindo planejamento.
Frequência, modo Robot 36 e equipamentos necessários
Na série informada pela ARISS, a frequência indicada foi 437.550 MHz, em UHF. Esse detalhe é importante porque eventos anteriores da ISS também já usaram outras frequências de radioamador, então o operador deve sempre conferir o comunicado do evento específico.
O modo informado foi Robot 36, um dos formatos clássicos de SSTV. Na prática, isso significa que o aplicativo ou programa de decodificação precisa estar configurado para esse modo ou em detecção automática, quando disponível.
Uma estação simples pode usar um HT com recepção em UHF, como os rádios Baofeng, uma antena externa ou direcional, cabo em boas condições e um celular ou computador rodando decodificador SSTV. Aplicativos populares conseguem decodificar o áudio pelo microfone, embora a qualidade varie.
Antenas direcionais, como yagi ou log-periódica portátil, ajudam bastante, mas não são obrigatórias para começar. Em passagens altas, uma antena vertical externa bem instalada pode receber sinais aproveitáveis, especialmente em locais com baixo ruído e horizonte livre.

Como se preparar para uma passagem da ISS
O primeiro passo é prever quando a ISS passará sobre a sua cidade. Ferramentas de rastreamento orbital mostram horário, elevação máxima, azimute de entrada e saída, além da duração aproximada da passagem.
Para recepção SSTV, priorize passagens com maior elevação. Uma passagem de 60 graus ou mais tende a oferecer melhor sinal do que uma passagem muito baixa no horizonte, onde prédios, relevo e ruído urbano atrapalham.
Antes da passagem, configure o receptor na frequência publicada pela ARISS, ajuste o volume de áudio e deixe o decodificador pronto. Se possível, grave o áudio completo, pois isso permite tentar nova decodificação depois, com filtros ou volume melhor ajustado.
Durante a passagem, acompanhe a ISS com a antena de forma suave. Em UHF, o efeito Doppler pode deslocar levemente a sintonia, mas muitos receptores conseguem captar a transmissão de SSTV de modo aceitável sem correção fina em experiências básicas de escuta.
Evite transmitir na frequência do evento. A recepção SSTV da ISS é uma atividade de escuta, e qualquer transmissão indevida pode prejudicar outros operadores. Respeitar o plano de bandas e a ética operacional é parte essencial do radioamadorismo.
Envio de imagens e aprendizado após a recepção
A fonte principal informa que os ouvintes podem enviar imagens recebidas para a galeria SSTV da ARISS. Esse tipo de galeria ajuda a documentar o alcance do evento e permite comparar resultados obtidos em diferentes regiões do mundo.
Ao salvar sua imagem, registre também data, horário, cidade, equipamento, antena, software e condições de recepção. Esses dados transformam uma simples captura em material útil para estudo, aulas, apresentações e melhoria da estação.
Nem toda tentativa resultará em imagem perfeita. Ruído, perda de sinal, rotação da antena, obstruções e configuração incorreta do modo podem gerar faixas, cortes ou cores estranhas. Mesmo assim, cada falha ensina algo sobre propagação, apontamento e áudio.
Para atividades escolares, a SSTV da ISS é especialmente rica porque conecta física, geografia, eletrônica, história espacial e comunicação digital. Um único passe pode render discussões sobre órbitas, radiofrequência, codificação de imagem e cooperação internacional.
Eventos como a Série 35 mostram como o radioamadorismo continua sendo uma ponte prática entre tecnologia e educação. Com planejamento, escuta atenta e registro cuidadoso, a recepção de SSTV da ISS deixa de ser apenas uma imagem bonita e se torna uma experiência completa de aprendizado.
Perguntas frequentes
Qual é a frequência da SSTV da ISS?
Na Série 35 (9 a 16 de novembro de 2026), a frequência é 437,550 MHz em FM, no modo Robot 36. Outras séries já usaram 145,800 MHz em VHF, por isso confira sempre o comunicado da ARISS antes de cada evento.
Preciso de licença para receber as imagens?
Não. Receber a SSTV da ISS é só escuta, e qualquer pessoa pode fazer. A licença de radioamador só é necessária para transmitir, e ninguém deve transmitir na frequência do evento.
Qual aplicativo decodifica SSTV?
No celular, o Robot36 (Android) e o CQ SSTV (iPhone) decodificam pelo microfone. No computador, o MMSSTV (Windows) e o QSSTV (Linux) dão resultados melhores, principalmente com o áudio ligado direto do rádio.
Dá para receber com um Baofeng?
Sim. Um HT dual band como o Baofeng UV-5R recebe 437,550 MHz. Com a antena original a imagem sai com ruído; uma antena externa ou uma yagi portátil apontada para a ISS melhora bastante. Prefira passagens acima de 40 graus de elevação.
Quanto tempo dura cada passagem da ISS?
Cada passagem visível dura de 5 a 10 minutos. Uma imagem em Robot 36 leva cerca de 36 segundos para ser transmitida, então dá para receber várias imagens numa passagem boa.
Fonte original: hamweekly.com
Sobre o autor
Carlos Rincon – PY2CER é radioamador desde 1995 e desenvolvedor do site Antena Ativa. Em sua produção de conteúdo, ele alia sua vivência prática na área com seu perfil de estudioso do tema para fundamentar as informações que compartilha com o público. Esse compromisso se reflete diretamente no Antena Ativa, que é um site dedicado a produzir e traduzir conteúdo sobre radioamadorismo no Brasil, mantendo sempre a transparência editorial.






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