Tempestades geomagnéticas previstas para meados de janeiro de 2026 podem afetar comunicações HF
Resumo: janelas de instabilidade entre 10 e 20 de janeiro com risco de G1; monitoramento é recomendado
Relatórios recentes do ARRL e do NOAA/SWPC indicam que a atividade geomagnética tende a aumentar em várias frentes durante a primeira metade de janeiro de 2026. Coronal holes (buracos coronais) recorrentes e o surgimento de uma nova região ativa no Sol elevaram a probabilidade de distúrbios no campo magnético terrestre, com implicações diretas para operações de rádio HF, navegação por satélite e redes que dependem de propagação ionosférica.
Períodos com maior probabilidade de tempestades geomagnéticas
O nível G1 (minor) de tempestade geomagnética é esperado nas seguintes janelas:
- 13 e 14 de janeiro de 2026
- 17 a 20 de janeiro de 2026
Condições unstable (desestabilizadas) são previstas também em 12, 21 e 22 de janeiro; o restante do período de análise deve predominar em condições majoritariamente quietas.
Possível passagem de CME e evolução de atividade solar
Modelagem da NOAA/SWPC mostrou que uma ejeção de massa coronal (CME) pode passar perto da Terra por volta de 11 de janeiro. Observações também registraram múltiplas CMEs fracas no bordo sudeste (SE) do disco solar originadas da Região 4334, embora os modelos iniciais não tenham apontado componente claramente dirigida à Terra.
Até 10 de janeiro, a previsão considera nível de atividade solar baixo, mas com probabilidade de flare M (R1–R2, menor a moderado) de cerca de 45% e pequena chance (10%) de flares isolados do tipo X (R3 — forte). Esses números implicam que explosões solares de intensidade moderada a forte não podem ser completamente descartadas no curto prazo.
Influência de buracos coronais e fluxo solar
O vento solar apresentou leve aumento a partir de 7 de janeiro. A influência de um Coronal Hole High Speed Stream (CH HSS) deve persistir até 10 de janeiro e pode levar a condições instáveis a ativas em 10 e 11 de janeiro, à medida que o buraco coronal entra em posição geoefetiva. Há também possibilidade de chegada de CMEs expulsos em 8 de janeiro, com chance de episódios isolados de tempestade G1 no final de 10 de janeiro.
Comentário técnico: incertezas e cenário para meados de janeiro
O especialista F. K. Janda (OK1HH), em comentário semanal sobre o Sol, a magnetosfera e a ionosfera, alerta que a situação é incerta. A descoberta da região ativa AR4336, no sudeste do disco solar, mudou a expectativa inicial de declínio gradual da atividade. Janda destaca também os buracos coronais nº 12 e 13, cuja proximidade com regiões ativas intensifica o vento solar e, por consequência, os efeitos sobre magnetosfera e ionosfera.
Segundo Janda, se o padrão observado na rotação solar anterior se repetir, a atividade poderia seguir em alta desde meados de janeiro, e o período de 15 a 18 de janeiro tem risco aumentado de ser geomagneticamente ativo ou mesmo perturbado.
Índices previstos e orientação para radioamadores
Previsões numéricas fornecidas no boletim incluem:
- Índice Planetário A (Predicted A) para 10–16 de janeiro: 8, 5, 10, 15, 15, 5, 5 (média 9)
- Índice K previsto: 3, 2, 3, 5, 5, 2, 2 (média 3.1)
- Fluxo de 10,7 cm (solar flux): 135, 130, 135, 135, 140, 145, 145 (média 137.9)
Para operadores de rádio amador e profissionais que dependem da propagação ionosférica: espere variações rápidas na abertura de faixas HF durante os períodos de influência de CH HSS e possível chegada de CMEs. Em dias de tempestade geomagnética (G1), é comum haver queda de MUF (maximum usable frequency), aumento de atenuação e distorções em modos digitais e em comunicações via ionosfera polar.
Recomenda-se monitorar as atualizações da NOAA/SWPC e do ARRL, ajustar frequências conforme necessário e considerar rotas alternativas de propagação (outras bandas e modos) durante janelas de maior atividade. Profissionais que dependem de GNSS devem avaliar mitigação contra maior erro e perda ocasional de sinal em camadas ionosféricas perturbadas.
Fontes e leitura adicional: boletim ARRL Solar Update, modelagem NOAA/SWPC e comentário semanal de F. K. Janda (OK1HH). Para quem busca aprofundamento em propagação, os sites de referência do ARRL oferecem guias e tutoriais sobre índices solares e comportamento da ionosfera.


