DXer relembra a Voice of America: histórias dos transmissores globais, o sinal de ‘Yankee Doodle’ e gravações SDR em Botswana

DXer relembra a Voice of America: histórias dos transmissores globais, o sinal de ‘Yankee Doodle’ e gravações SDR em Botswana

Como os relés da VOA levaram programação a cantos remotos do mundo e viraram objeto de estudo e nostalgia entre ouvintes de curto‑alcance

Há cinco décadas a Voice of America (VOA) marcava presença por todo o espectro de ondas curtas, usando não só transmissores nos Estados Unidos, mas uma rede de estações‑relé espalhadas por vários países. Para quem praticava DX — a arte de captar sinais distantes — identificar cada sítio de transmissão era um desafio e também uma paixão: esta atividade gerou prêmios, coleções de QSLs e muitas memórias sonoras.

Relés e estações históricas

Os transmissores da VOA operaram em locais estratégicos para alcançar diferentes regiões do planeta. Entre os sítios lembrados por ouvintes e historiadores estão Greenville (NC), Bethany (OH), Dixon/Delano (CA), Marathon (FL), Wooferton (Reino Unido), Kavala e Tessalónica (Grécia), Rodes (Dodecaneso), Monróvia (Libéria), Tânger (Marrocos), Okinawa (Ilhas Ryukyu), Poro/Tinang (Filipinas), Udon Thani (Tailândia), Sri Lanka, São Tomé e Botswana. Muitos desses relés aparecem em relatos, fotos e matérias de arquivo — um exemplo de memória online está em https://k5nd.net/2011/06/voice-of-america/.

Identificação sonora e QSLs: a marca ‘Yankee Doodle’

O início e o fim das transmissões frequentemente traziam a melodia conhecida de “Yankee Doodle”, seguida por identificações em inglês que às vezes citavam o local do transmissor. Essas vinhetas variavam ligeiramente conforme o sítio, o que virou pista valiosa para DXers. Técnicos locais que mantinham os equipamentos muitas vezes eram radioamadores licenciados; cartas e cartões QSL assinados por esses profissionais — como os que circulavam a partir da estação perto de Monróvia — atestam essa ligação entre serviço internacional e hobby amador.

Registros recentes e o panorama em 2025

Mesmo após o declínio do uso de ondas curtas pela VOA, registros recentes mostram transmissões provenientes de relés remanescentes. Em janeiro de 2025 foram feitas gravações via receptores SDR remotos do sítio de Botswana; os arquivos estão disponíveis no Archive.org em https://archive.org/details/voa-africa-via-botswana-relay-january-19-2025. Em 16 de março de 2025, levantamentos indicaram que poucos dos antigos transmissores da VOA permaneciam em operação: Greenville (NC), usado pelo Radio Martí; Tinang (Filipinas), veiculando o serviço mundial Radyo Pilipinas; e Wooferton (Reino Unido), operando para a BBC e outros usuários.

Legado para DXers, historiadores e museus locais

A história das estações‑relé da VOA deixou um legado técnico e cultural. Para DXers, as variações de vinhetas e as QSLs formam um arquivo oral e material raro. Para comunidades locais — como a em Dixon, Califórnia — há interesse em reunir informações e criar exibições permanentes que conservem a memória desses sítios. Mesmo com a mudança do cenário das comunicações, as gravações, cartas e relatos continuam a oferecer pistas valiosas sobre como a rádio internacional conectou o mundo no século XX e início do XXI.

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