Medição Elétrica: Multímetro Digital e suas Funções
1. Introdução
A medição de grandezas elétricas é uma habilidade fundamental para qualquer pessoa que trabalhe com eletrônica, eletricidade ou manutenção de equipamentos[1][2]. O multímetro é o instrumento mais versátil e utilizado para realizar essas medições, combinando em um único equipamento as funções de voltímetro, amperímetro, ohmímetro e diversos outros instrumentos especializados[1].
O multímetro é essencial para:
- Diagnosticar problemas em circuitos elétricos
- Verificar se componentes estão funcionando corretamente
- Medir tensões, correntes e resistências
- Testar continuidade de cabos e conexões
- Garantir segurança ao trabalhar com eletricidade
- Validar montagens e projetos eletrônicos
Para radioamadores especificamente, o multímetro é indispensável para:
- Testar fontes de alimentação (muito crítico em transmissores)
- Verificar continuidade em antenas e cabos de RF
- Medir tensões em estágios de amplificação
- Diagnosticar problemas em circuitos de recepção
- Validar impedâncias e cargas em sistemas RF
Este material apresenta os principais tipos de multímetros, suas funções, como utilizá-los corretamente e técnicas práticas de medição.
Objetivos de Aprendizado
Ao final desta apostila você será capaz de:
- Compreender o funcionamento e aplicação de voltímetros, amperímetros e ohmímetros
- Usar corretamente um multímetro digital
- Medir tensão (CC e CA) com segurança
- Medir corrente em circuitos sem danificar o multímetro
- Medir resistência e testar continuidade
- Usar funções avançadas (capacitância, frequência, teste de diodo)
- Escolher a escala correta para cada medição
- Evitar erros comuns e danificações do equipamento
- Interpretar resultados de medição corretamente
2. Conceitos Fundamentais de Medição
2.1 As Três Grandezas Básicas
Toda medição elétrica baseia-se em três grandezas fundamentais[1][2]:
1. Tensão (Voltagem) – Símbolo: U ou V
- Definição: Diferença de potencial elétrico entre dois pontos
- Unidade: Volt (V)
- Submúltiplos: mV (milivolts), μV (microvolts)
- Instrumento: Voltímetro
- Fórmula: U = V = I × R (Lei de Ohm)
2. Corrente Elétrica – Símbolo: I
- Definição: Fluxo de elétrons através de um condutor
- Unidade: Ampere (A)
- Submúltiplos: mA (miliamperes), μA (microamperes), nA (nanoamperes)
- Instrumento: Amperímetro
- Fórmula: I = U ÷ R (Lei de Ohm)
3. Resistência Elétrica – Símbolo: R
- Definição: Oposição ao fluxo de corrente
- Unidade: Ohm (Ω)
- Múltiplos: kΩ (quiloohm), MΩ (megaohm)
- Instrumento: Ohmímetro
- Fórmula: R = U ÷ I (Lei de Ohm)
2.2 Lei de Ohm – Fundação da Medição
A Lei de Ohm relaciona as três grandezas fundamentais:
U=IR
Ou equivalentemente:
I=UR
R=UI
Aplicação Prática:
Se você conhece duas grandezas, pode calcular a terceira:
- Conhecer U e R → calcular I
- Conhecer U e I → calcular R
- Conhecer I e R → calcular U
Exemplo:
Uma resistência de 100 Ω está submetida a 10 V. Qual a corrente?
I=UR=10100=0,1 A=100 mA
2.3 Corrente Contínua (CC/DC) vs Alternada (CA/AC)
Corrente Contínua (CC ou DC):
- Fluxo de elétrons em um único sentido
- Tensão constante e não muda de polaridade
- Exemplos: baterias, painéis solares, circuitos eletrônicos
- Símbolo no multímetro: — (linha contínua)
- Requer cuidado com polaridade (+ e -)
Corrente Alternada (CA ou AC):
- Fluxo de elétrons que muda de sentido periodicamente
- Tensão oscila entre valores positivos e negativos
- Exemplos: rede elétrica residencial (60 Hz ou 50 Hz), geradores
- Símbolo no multímetro: ~ (onda sinusoidal)
- Polaridade não importa (multímetro mede valor efetivo)
Frequência:
- Número de oscilações por segundo
- Unidade: Hertz (Hz)
- Brasil e maioria América Latina: 60 Hz
- Europa e alguns países: 50 Hz
2.4 Conexões de Instrumentos
Voltímetro – Conexão em PARALELO:
Características:
- Conecta entre dois pontos do circuito
- Não interrompe o circuito
- Tem resistência interna MUITO ALTA (MΩ)
- Corrente através do voltímetro é negligenciável
- Não afeta o funcionamento do circuito medido
Circuito: ───[Resistor]───
│ │
+ V – (voltímetro em paralelo)
Amperímetro – Conexão em SÉRIE:
Características:
- Conecta no caminho da corrente
- Interrompe o circuito (circuito aberto sem ele)
- Tem resistência interna MUITO BAIXA (mΩ)
- Corrente toda passa através dele
- Deve ser inserido (pode exigir desconectar um fio)
Circuito: ───[Amperímetro]───[Resistor]───
A (amperímetro em série)
Ohmímetro – Conexão em ABERTO:
Características:
- Componente deve estar desconectado do circuito
- NUNCA medir resistência em circuito energizado
- Nunca medir resistência com circuito ligado
- Ohmímetro fornece tensão própria internamente
- Se circuito ligado, pode danificar o ohmímetro
Circuito deve estar DESCONECTADO:
───[Resistor]───
(desconectado)
Então colocar as pontas de prova nos terminais
Resumo de Conexões:
| Instrumento | Conexão | Quando Usar | Efeito |
| Voltímetro | Paralelo | Medir tensão | Não afeta circuito |
| Amperímetro | Série | Medir corrente | Circuito flui através dele |
| Ohmímetro | Aberto | Medir resistência | Desconectar circuito antes |
3. Voltímetro
3.1 Conceito e Função
Um voltímetro é um instrumento que mede a diferença de potencial elétrico (tensão) entre dois pontos de um circuito[1][2].
Definição Formal:
Instrumento que mede a tensão (diferença de potencial) expressa em volts (V) entre dois pontos de um circuito.
Símbolo: V ou U em um círculo (em diagramas)
Unidades Típicas:
- V (volt): 0 a 1000 V
- mV (milivolt): 0,001 V = 1 × 10⁻³ V
- kV (quilovolt): 1000 V
3.2 Como Funciona o Voltímetro
Princípio Físico:
Um voltímetro funciona baseado em um galvanômetro (detector sensível de corrente) com uma resistência adicional em série chamada resistência multiplicadora[2].
Componentes:
- Galvanômetro: Bobina móvel em campo magnético
- Resistência multiplicadora: Resistência de alto valor em série
- Escala graduada: Calibrada em volts
Funcionamento:
A tensão medida causa corrente pequena:
I=URtotal
Onde:
- U = tensão a medir
- R_total = resistência interna do voltímetro (muito alta)
- I = corrente mínima (de microamperes a miliamperes)
Esta pequena corrente move a bobina, movendo o ponteiro (analógico) ou registrando no display (digital).
Resistência Interna Muito Alta:
A resistência interna do voltímetro é propositalmente muito alta:
- Voltímetro analógico: 10 MΩ a 100 MΩ típico
- Voltímetro digital: 10 MΩ ou maior
Por que tão alta?
Para que ele não “roube” corrente significativa do circuito:
Ivoltimetro=URvoltimetro=10V10M=1 μA
Esse microampere é negligenciável em relação ao circuito medido.
3.3 Medição de Tensão Contínua (CC)
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para V— (ou V com linha contínua)
- Escolha a escala: Começar pela maior escala (menos danosa)
- Se tensão é desconhecida, começar em 1000 V
- Se parece baixa, mudar para 100 V, 10 V, etc.
- Conecte o voltímetro:
- Ponta VERMELHA no lado POSITIVO (+)
- Ponta PRETA no lado NEGATIVO (-) ou Terra (GND)
- Se conectar ao contrário, multímetro digital mostra “-” (negativo)
- Leia o resultado: Display mostra valor em volts
Exemplos de Medição:
Medir tensão de uma bateria de 9 V:
- Selecionar V— (CC)
- Selecionar escala de 20 V (acima de 9 V)
- Ponta vermelha no + da bateria, preta no – da bateria
- Ler: “9.2 V” (bateria saudável, novo teria ~9.6 V)
Medir tensão de bateria de carro (12 V):
- Selecionar V— (CC)
- Selecionar escala de 20 V
- Ponta vermelha no + da bateria, preta no –
- Ler: “12.5 V” ou “11.8 V” (depende da carga)
3.4 Medição de Tensão Alternada (CA)
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para V~ (ou V com onda)
- Escolha a escala: Começar pela maior escala
- Rede residencial: 220 V (Brasil) ou 110 V, 120 V (regiões outras)
- Começar em 750 V ou 1000 V por segurança
- Conecte o voltímetro:
- Ponta VERMELHA em um ponto qualquer
- Ponta PRETA em outro ponto qualquer
- Polaridade não importa em CA
- Multímetro mede valor efetivo (RMS)
- Leia o resultado: Display mostra valor RMS
Observação – RMS (Root Mean Square):
O multímetro em CA mede o valor RMS (valor efetivo), não o pico:
- Rede de 220 V RMS = pico de ~311 V
- Rede de 110 V RMS = pico de ~155 V
- RMS é o valor útil para cálculo de potência
Exemplos de Medição:
Medir tensão de tomada residencial:
- Selecionar V~ (CA)
- Selecionar escala de 750 V
- Ponta vermelha em uma furação, preta em outra (não importa ordem)
- Ler: “220.3 V” (rede nominal)
Medir tensão de transformador secundário:
- Selecionar V~ (CA)
- Selecionar escala de 20 V
- Colocar pontas nos terminais secundários
- Ler: “12.4 V” ou conforme especificação
3.5 Erros Comuns com Voltímetro
Erro 1 – Escala errada:
❌ Selecionar escala de 20 V para medir 220 V
→ Resultado: danificar o multímetro
✓ Começar sempre pela escala mais alta
Erro 2 – Polaridade invertida em CC:
❌ Conectar ponta vermelha em GND e preta no +
→ Resultado: multímetro digital mostra “-” (aceitável, não danifica)
✓ Vermelho em +, Preto em GND (é o padrão)
Erro 3 – Conexão em série:
❌ Tentar medir em série (interrompendo circuito)
→ Resultado: leitura errada ou sem leitura
✓ Voltímetro sempre em paralelo
Erro 4 – Medir em circuito sem energia:
❌ Circuito desligado, voltímetro lê 0 V
→ Isso é esperado, não é erro
✓ Circuito deve estar ligado para medir tensão
3.6 Aplicações Práticas de Voltímetro
1. Diagnóstico de Fonte de Alimentação:
- Verificar se fonte está fornecendo +5V, +12V, -12V corretamente
- Medir quedas de tensão em cabos
2. Teste de Bateria:
- Bateria de 9 V saudável: 9.0 – 9.6 V
- Bateria de 9 V fraca: 7.0 – 8.5 V
- Bateria de 9 V morta: < 7 V
3. Verificação de Régulador de Tensão:
- Entrada: 12 V
- Saída esperada: 5 V (para regulador 7805)
- Se saída está errada, regulador pode estar defeituoso
4. Medição de Queda de Tensão:
- Tensão antes de componente vs depois
- Grande queda indica resistência alta ou conexão ruim
4. Amperímetro
4.1 Conceito e Função
Um amperímetro é um instrumento que mede a intensidade da corrente elétrica que flui através de um circuito[1][2].
Definição Formal:
Instrumento que mede a corrente elétrica, expressa em amperes (A), passando através de um ponto do circuito.
Símbolo: A em um círculo (em diagramas)
Unidades Típicas:
- A (ampere): 0 a 10 A típico
- mA (miliampere): 0,001 A = 1 × 10⁻³ A
- μA (microampere): 0,000001 A = 1 × 10⁻⁶ A
4.2 Como Funciona o Amperímetro
Princípio Físico:
Um amperímetro funciona medindo a queda de tensão causada pela corrente através de uma resistência interna pequena chamada resistência shunt[2].
Componentes:
- Resistência Shunt: Resistência de valor baixo muito bem conhecida
- Galvanômetro: Detector de corrente
- Escala graduada: Calibrada em amperes
Funcionamento:
A corrente passa através da resistência shunt, causando queda de tensão:
Ushunt=IRshunt
Este voltagem é medida pelo galvanômetro e convertida em leitura de corrente.
Resistência Interna Muito Baixa:
A resistência interna do amperímetro é propositalmente muito baixa:
- Amperímetro analógico: 0,1 Ω a 1 Ω típico
- Amperímetro digital: < 0,1 Ω
Por que tão baixa?
Para que ele não reduza a corrente do circuito:
Uamperimetro=IR=1 A0,1=0,1 V
Essa queda de tensão de 0,1 V é negligenciável.
4.3 Medição de Corrente Contínua (CC)
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para A— (ou A com linha contínua)
- Escolha a escala correta:
- Multímetro tem geralmente 2-3 escalas de corrente
- 10 A: para correntes altas (até 10 A)
- 200 mA ou 300 mA: para correntes médias
- 20 mA ou 200 mA: para correntes baixas
- Começar na escala mais alta se corrente é desconhecida
- Conecte o multímetro EM SÉRIE:
- Desconecte um fio do circuito
- Conecte ponta vermelha no lado que vinha da fonte
- Conecte ponta preta no lado que ia para o componente
- Isso completa o circuito através do amperímetro
- Leia o resultado: Display mostra corrente em amperes ou miliamperes
Diagrama de Conexão:
Circuito normal:
[+] ──[Resistor]── [-]
Circuito com amperímetro:
[+] ──[Amperímetro]──[Resistor]── [-]
A
4.4 Medição de Corrente Alternada (CA)
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para A~ (ou A com onda)
- Escolha a escala: Similar à CC, começar na maior
- Conecte EM SÉRIE:
- Abra o circuito cortando a fiação
- Coloque amperímetro no meio do caminho
- Polaridade não importa (CA é simétrica)
- Leia o resultado: Display mostra corrente RMS
Exemplo – Corrente em Tomada:
Medir consumo de lâmpada de 60 W em 220 V:
I=PU=60220=0,27 A=270 mA
- Selecionar A~ (CA)
- Selecionar escala de 750 mA (para ver 270 mA)
- Desconectar um fio da lâmpada
- Inserir amperímetro em série
- Ler: “273 mA” (confirma cálculo)
4.5 Diferentes Escalas de Corrente
Escala 10 A (Alta Corrente):
- Uso: Aparelhos de alta potência, motores, cargas resistivas
- Resolução: ~0,01 A (10 mA)
- Exemplos: Geladeira (~5 A), Chuveiro (~20 A)
- Nota: Chuveiro não entra em 10 A! Seria preciso escala maior
Escala 200 mA a 300 mA (Corrente Média):
- Uso: Eletrônicos, circuitos digitais, pequenas cargas
- Resolução: ~0,001 A (1 mA)
- Exemplos: Circuito de Arduino (~100 mA), LED (~20 mA)
Escala 20 mA (Baixa Corrente):
- Uso: Circuitos sensíveis, testes de sensores
- Resolução: ~0,0001 A (0,1 mA)
- Exemplos: Sensor (~5 mA), LED ~3 mA)
Escala μA (Microamperes – Muito Baixa):
- Uso: Medições muito precisas, vazamento
- Resolução: 1 μA (0,000001 A)
- Exemplos: Vazamento de capacitor, vazamento de isolação
4.6 Erros Críticos com Amperímetro
ERRO CRÍTICO 1 – Conexão em Paralelo:
❌ Conectar amperímetro em paralelo
→ Resultado: CURTO-CIRCUITO, funde amperímetro ou circuito
✓ Amperímetro SEMPRE em série
ERRO CRÍTICO 2 – Escala errada:
❌ Tentar medir 5 A usando escala de 200 mA
→ Resultado: Amperímetro queima, fusível interno queima
✓ Começar sempre pela escala mais alta (10 A)
ERRO CRÍTICO 3 – Medição sem desconectar:
❌ Tentar medir corrente em circuito sem abrir
→ Resultado: Leitura errada, possível dano
✓ Desligar circuito, abrir o ponto de medição, conectar amperímetro
ERRO CRÍTICO 4 – Medir em circuito desprotegido:
❌ Se houver curto-circuito, amperímetro queima
→ Resultado: Perda do multímetro
✓ Circuito deve ter fusível/disjuntor de proteção
4.7 Cálculo de Potência com Voltímetro e Amperímetro
Medindo tensão e corrente, pode-se calcular potência:
Potência = Tensão × Corrente
P=UI
Onde:
- P = potência em watts (W)
- U = tensão em volts (V)
- I = corrente em amperes (A)
Exemplo 1 – Lâmpada:
Medir:
- Tensão: 220 V
- Corrente: 0,27 A
P=2200,27=59,4 W60 W
Exemplo 2 – Resistência:
Medir:
- Tensão: 10 V
- Corrente: 100 mA = 0,1 A
P=100,1=1 W
Pode-se verificar com Lei de Ohm:
R=UI=100,1=100
Confirmação:
P=U2R=100100=1 W
✓
5. Ohmímetro
5.1 Conceito e Função
Um ohmímetro é um instrumento que mede a resistência elétrica de um componente ou circuito[1][2].
Definição Formal:
Instrumento que mede a resistência elétrica, expressa em ohms (Ω), usando uma fonte de tensão interna.
Símbolo: Ω (letra grega ômega)
Unidades Típicas:
- Ω (ohm): 0 a 2000 Ω
- kΩ (quiloohm): 0 a 20 kΩ
- MΩ (megaohm): 0 a 2000 MΩ
5.2 Como Funciona o Ohmímetro
Princípio Físico:
Um ohmímetro fornece uma tensão interna conhecida através do componente e mede a corrente resultante. Usando a Lei de Ohm, calcula a resistência[2].
Componentes Internos:
- Bateria interna: Tipicamente 1,5 V ou 9 V
- Resistência de referência: De valor conhecido (para calibração)
- Medidor de corrente: Galvanômetro ou circuito análogo-digital
- Escala de ohms: Calibrada inversamente (não linear)
Funcionamento:
Quando conecta o resistor desconhecido:
I=VinternaRdesconhecido
O circuito mede essa corrente e converte para ohms:
R=VinternaI
Escala Não-Linear:
Diferente de voltímetro e amperímetro, a escala de ohmímetro não é linear:
- Esquerda do mostrador: alta resistência (MΩ)
- Direita do mostrador: baixa resistência (ohms)
Isso porque resistência é inversamente proporcional a corrente.
5.3 Medição de Resistência
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para Ω (sinal de ohm)
- Escolha a escala correta:
- 20 Ω: resistências muito baixas (1-20 Ω)
- 200 Ω: resistências baixas (20-200 Ω)
- 2 kΩ: resistências médias (200 Ω – 2 kΩ)
- 20 kΩ: resistências altas (2 kΩ – 20 kΩ)
- 200 kΩ: resistências muito altas (20 kΩ – 200 kΩ)
- 2 MΩ: resistências extremamente altas (200 kΩ – 2 MΩ)
- Autorange: escala automática (mais prático)
- Desconecte o componente:
- CRÍTICO: Deve estar desconectado do circuito
- Desconectar da fonte de alimentação também
- Descarregar capacitores (ver seção abaixo)
- Conecte o ohmímetro:
- Coloque as pontas nos dois terminais da resistência
- Polaridade não importa
- Leia o resultado: Display mostra resistência em ohms
Exemplos de Medição:
Medir resistor de 1 kΩ:
- Selecionar Ω
- Selecionar escala de 2 kΩ
- Colocar pontas de prova nos terminais do resistor
- Ler: “989 Ω” (tolerância de ±10% é normal)
Medir resistência de um fio (continuidade aproximada):
- Selecionar Ω
- Selecionar escala de 20 Ω
- Colocar pontas nos extremos do fio
- Ler: “0,5 Ω” (fio bom, resistência mínima)
5.4 CRÍTICO: Medição com Circuito Desconectado
Por que desconectar?
Se o circuito está energizado durante a medição de resistência:
- A bateria interna do ohmímetro pode sofrer danos
- A leitura será completamente errada
- Se houver grande tensão, pode destruir o multímetro
- Pode apresentar risco de segurança
Procedimento Seguro:
✓ ANTES de medir resistência:
- Desligar a fonte de alimentação
- Esperar capacitores descarregarem (alguns segundos a minutos)
- Usar multímetro como voltímetro para verificar se circuito está desligado
- Apenas então medir resistência
✗ NUNCA:
- Medir resistência em circuito ligado
- Medir resistência sem desconectar a fonte
- Usar ohmímetro como voltímetro (não vai funcionar, pode danificar)
5.5 Escalas de Resistência
Escala 20 Ω – Resistências Muito Baixas:
- Faixa: 0 – 20 Ω
- Uso: Fios, conexões, resistências de baixo valor
- Resolução: 0,1 Ω
- Exemplo: Continuidade de cabo (< 1 Ω = bom)
Escala 200 Ω – Resistências Baixas:
- Faixa: 20 – 200 Ω
- Uso: Resistores de baixo valor, teste de bobinas
- Resolução: 1 Ω
- Exemplo: Resistor de 100 Ω (lê “98 Ω”)
Escala 2 kΩ – Resistências Médias:
- Faixa: 200 Ω – 2 kΩ
- Uso: Resistores comuns, fotoresistores, termistores
- Resolução: 10 Ω
- Exemplo: LED (lê “infinito” ou OL quando direto)
Escala 20 kΩ – Resistências Altas:
- Faixa: 2 kΩ – 20 kΩ
- Uso: Resistores de alto valor, isolação de componentes
- Resolução: 100 Ω
- Exemplo: Potenciômetro de 10 kΩ (lê “9,8 kΩ”)
Escala 200 kΩ – Resistências Muito Altas:
- Faixa: 20 kΩ – 200 kΩ
- Uso: Teste de isolação, fuga em isoladores
- Resolução: 1 kΩ
- Exemplo: Isolação de fio (deve ler > 100 MΩ)
Escala 2 MΩ – Resistências Extremamente Altas:
- Faixa: 200 kΩ – 2 MΩ
- Uso: Teste de isolação de instalações, cabos antigos
- Resolução: 10 kΩ
- Exemplo: Isolação de fio de instalação (deve ler > 1 MΩ)
5.6 Teste de Continuidade
Continuidade é um teste simplificado que apenas responde “sim” ou “não” se há conexão[1].
Procedimento:
- Selecione a função: Girar seletor para a função de continuidade (símbolo de onda sonora ou diodo)
- Desconecte o componente: Similar ao ohmímetro
- Conecte as pontas nos dois terminais
- Resultado:
- Bip/Som: Há continuidade (conexão boa)
- Sem som: Sem continuidade (aberto/rompido)
Aplicações:
- Verificar se fio está rompido dentro de isolação
- Verificar se soldagem está boa
- Verificar se pista de PCB está condutiva
- Verificar se botão está funcionando (contato fechado)
Leitura de Resistência em Continuidade:
Além do bip, o multímetro mostra a resistência:
- < 1 Ω: Conexão excelente (fio bom, soldagem boa)
- 1-10 Ω: Conexão boa (resistência pequena)
- 10-100 Ω: Conexão fraca (possível contato sujo)
- 100 Ω: Conexão ruim ou aberta
5.7 Teste de Isolação
Verificar se isolação está boa é crítico de segurança.
Teste de Isolação de Fio:
- Desconectar o circuito completamente
- Selecionar escala 2 MΩ (megaohm)
- Colocar uma ponta no condutor, outra na blindagem/terra
- Ler a resistência
Interpretação:
- > 1 MΩ: Isolação excelente ✓
- 100 kΩ – 1 MΩ: Isolação aceitável (possivelmente envelhecida)
- < 100 kΩ: Isolação deficiente ❌
- < 100 Ω: Isolação rompida (risco de segurança) ❌❌
Para Segurança Elétrica:
Conforme NBR 5410, isolação de fios residenciais deve ter:
- Mínimo 1 MΩ em condições normais
- Aceita-se até 0,5 MΩ em algumas condições
6. Funções Avançadas do Multímetro
6.1 Teste de Diodo
Diodos são componentes semicondutores que deixam corrente passar em uma direção.
Função de Teste:
- Selecione a função: Girar seletor para símbolo de diodo (triângulo com barra)
- Conecte as pontas aos terminais do diodo:
- Ponta vermelha no anodo (lado positivo)
- Ponta preta no catodo (lado negativo)
- Leitura:
- 0,4 a 0,7 V: Diodo bom (silício normal lê ~0,6 V)
- OL (overflow): Diodo aberto (quando inverso)
- 0 Ω: Diodo em curto
Aplicação Prática:
Verificar se diodo está funcionando:
- Diodo bom em uma direção: lê ~0,6 V
- Diodo bom na direção inversa: lê OL (sem passagem)
- Se ler OL em ambas: diodo aberto
- Se ler ~0 Ω em ambas: diodo em curto
6.2 Medição de Frequência
Frequência é o número de oscilações por segundo em AC.
Função de Frequência:
- Selecione a função: Girar seletor para Hz (hertz)
- Conecte as pontas:
- Geralmente nos mesmos pontos como voltímetro AC
- Alguns multímetros requerem conexão em um ponto específico
- Leitura:
- Display mostra frequência em Hz, kHz, ou MHz
Aplicações:
- Rede elétrica: 50 Hz (Europa) ou 60 Hz (Brasil)
- Osciladores: Verificar se frequência está correta
- Geradores: Medir frequência de saída
- RF em radioamadorismo: Alguns multímetros medem até MHz
Exemplo – Verificar Frequência de Rede:
- Selecionar Hz
- Colocar pontas em uma tomada
- Ler: “59,98 Hz” ou “60,02 Hz” (nominal é 60 Hz, varia um pouco)
6.3 Medição de Capacitância
Capacitância é a habilidade de armazenar carga elétrica, medida em farads.
Função de Capacitância:
- Selecione a função: Girar seletor para F (farads) ou símbolo de capacitor
- Escolha a escala:
- nF (nanofarad): 1 × 10⁻⁹ F
- μF (microfarad): 1 × 10⁻⁶ F
- mF (milifarad): 1 × 10⁻³ F
- Desconecte o capacitor:
- CRÍTICO: Deve estar desconectado
- CRÍTICO: Deve estar descarregado (use resistor ou outro método)
- Conecte as pontas aos terminais do capacitor
- Leitura:
- Display mostra capacitância em farads (e submúltiplos)
Aplicações:
- Verificar se capacitor tem valor esperado
- Detectar capacitor vazado ou em curto
- Medir capacitância parasitária
Exemplo – Verificar Capacitor Eletrolítico:
Capacitor marcado “10μF”:
- Selecionar capacitância
- Selecionar escala μF (microfarad)
- Desconectar completamente do circuito
- Descarregar (tocar nos terminais com resistor)
- Colocar pontas nos terminais
- Ler: “10.2 μF” (normal, tolerância de ±20% é comum)
Se ler:
- “OL”: Capacitor aberto (defeituoso)
- “0”: Capacitor em curto (defeituoso)
- Muito diferente de 10 μF: Capacitor envelhecido ou defeituoso
6.4 Medição de Temperatura
Alguns multímetros têm sensor de temperatura.
Função de Temperatura:
- Selecione a função: Girar seletor para °C ou °F
- Conecte a sonda de temperatura:
- Alguns têm conector especial para sonda
- Outros usam pontas de prova
- Coloque a sonda no local a medir
- Leitura: Display mostra temperatura
Aplicações:
- Verificar se componente está superaquecido
- Monitorar temperatura de dissipador
- Medir temperatura ambiente
6.5 Teste de Transistor (hFE)
Alguns multímetros têm soquete para testar ganho de transistor.
Função:
- Inserir transistor no soquete
- Selecionar tipo (NPN ou PNP)
- Display mostra ganho de corrente (hFE)
Aplicação:
- Verificar se transistor está funcionando
- Comparar ganho com especificação
- Detectar transistor defeituoso
7. Tipos de Multímetros
7.1 Multímetro Analógico
Características:
- Usa galvanômetro com ponteiro móvel
- Escala analógica não-digital
- Leitura pela posição do ponteiro
Vantagens:
- ✓ Útil para ver variações dinâmicas (movimento do ponteiro mostra oscilações)
- ✓ Menos sensível a ruído (filtragem natural)
- ✓ Não usa bateria (alguns modelos)
- ✓ Boa visão periférica de mudanças
Desvantagens:
- ✗ Leitura menos precisa que digital
- ✗ Difícil ler em condições de pouca luz
- ✗ Escala não-linear em ohms
- ✗ Menos funções (raramente tem frequência, capacitância)
- ✗ Frágil em quedas
Quando Usar:
- Medir fenômenos que variam continuamente
- Observar oscilações de tensão ou corrente
- Quando precisão não é crítica
7.2 Multímetro Digital
Características:
- Display LCD ou LED
- Medição eletrônica com conversão AD
- Leitura numérica direta
Vantagens:
- ✓ Leitura precisa e direta (números claros)
- ✓ Múltiplas funções integradas (frequência, capacitância, temperatura)
- ✓ Escalas automáticas em muitos modelos (autorange)
- ✓ Proteção contra sobrecarga em algumas escalas
- ✓ Melhor resistência a vibrações
Desvantagens:
- ✗ Consome bateria (dependência de energia)
- ✗ Menos adequado para ver variações rápidas
- ✗ Pode travar em sinais muito ruidosos
- ✗ Mais complexo (mais pontos de falha possíveis)
Quando Usar:
- Medições precisas
- Ambientes com boa luminosidade
- Quando precisa de múltiplas funções
- Uso geral (é o padrão hoje)
7.3 Autorange vs Manual
Multímetro Manual (Escala Manual):
- Usuário seleciona a escala manualmente
- Menos prático mas oferece controle total
- Requer conhecimento das escalas apropriadas
Multímetro Autorange:
- Seleciona escala automaticamente
- Muito mais prático (gira seletor e pronto)
- Economiza tempo em medições diversas
- Reduz erro de escala errada
Recomendação: Multímetro digital autorange é o mais prático para iniciantes.
7.4 Modelos Comuns
Modelo Básico (~R$30-50):
- Tensão CC e CA
- Corrente CC e CA
- Resistência
- Continuidade
- Display LCD simples
Modelo Intermediário (~R$80-150):
- Tudo do básico, mais:
- Capacitância
- Frequência
- Teste de diodo
- Display melhor
- Autorange
Modelo Profissional (~R$300+):
- Tudo do intermediário, mais:
- Medição de temperatura
- Teste de transistor
- Proteção contra sobrecarga
- Construção robusta
- Melhor precisão (±0,5% vs ±1%)
Para radioamadorismo, modelo intermediário é adequado.
8. Procedimento Seguro de Medição
8.1 Checklist Antes de Cada Medição
ANTES de começar:
- ☐ Verificar integridade do multímetro
- Display funciona?
- Pontas de prova não estão rompidas?
- Bateria tem carga?
- ☐ Verificar pontas de prova
- Isolação intacta?
- Não há exposição de cobre?
- Conectadas corretamente?
- ☐ Conhecer o circuito
- Qual tensão máxima esperada?
- Qual corrente máxima esperada?
- Há fontes de alta tensão presentes?
- ☐ Usar a escala correta
- Começar pela maior escala se desconhecido
- Reduzir para melhor leitura após primeira medição
- ☐ Usar proteção pessoal
- Sapatos isolados em ambientes molhados
- Não trabalhar sozinho em alta tensão
- Remover anéis/pulseiras em alta tensão
8.2 Ordem de Operações Segura
Para Medir Voltagem:
- Selecionar V— (CC) ou V~ (CA)
- Selecionar escala alta (começar lá)
- Desligar a fonte brevemente
- Conectar ponta preta no negativo/terra
- Conectar ponta vermelha no ponto a medir
- Ligar a fonte
- Ler o valor
- Se escala está muito alta, desligar e reduzir escala
- Repitir medição
Para Medir Corrente:
- Selecionar A— (CC) ou A~ (CA)
- Selecionar escala alta (10 A)
- DESLIGAR O CIRCUITO
- Abrir o ponto de medição (desconectar um fio)
- Conectar amperímetro em série
- Ligar o circuito
- Ler o valor
- Desligar
- Remover amperímetro
- Reconectar o fio original
Para Medir Resistência:
- Selecionar Ω
- DESLIGAR COMPLETAMENTE a fonte
- Desconectar o componente (muito importante)
- Esperar capacitores descarregarem (~10 segundos)
- Selecionar escala apropriada (começar em 2 MΩ)
- Conectar pontas de prova
- Ler o valor
- Reduzir escala se necessário e repetir
8.3 Erros Que Danificam o Multímetro
Erro: Amperímetro em Paralelo
- Efeito: Curto-circuito, queima o multímetro
- Prevenção: Sempre em série, lembrar “A em série”
Erro: Ohmímetro em Circuito Ligado
- Efeito: Bateria interna queima
- Prevenção: Sempre desligar, verificar com voltímetro antes
Erro: Escala Errada para Corrente
- Efeito: Supera capacidade, fusível queima
- Prevenção: Começar em 10 A sempre
Erro: Voltímetro em Escala Baixa Demais
- Efeito: Danifica o circuito interno
- Prevenção: Começar em escala alta, reduzir após
Erro: Pontas de Prova Gastas
- Efeito: Contato ruim, leituras falsas, risco de curto
- Prevenção: Verificar isolação regularmente, trocar se necessário
9. Exercícios Práticos
Exercício 1 – Voltagem em Fonte de Alimentação
Uma fonte de alimentação deve fornecer +12V, +5V e -12V.
Medições obtidas:
- +12V: Mede 11,8 V
- +5V: Mede 4,95 V
- -12V: Mede -11,7 V (vermelha em GND, preta em -12V)
Questões:
a) A fonte está funcionando corretamente?
b) Qual é a margem de erro para cada uma?
c) Qual seria uma indicação de problema?
Solução:
a) Sim, as medições estão dentro das tolerâncias normais.
b) Margem de erro:
- +12V esperado: 11,8 V = 1,7% abaixo do nominal
- +5V esperado: 4,95 V = 1% abaixo do nominal
- -12V esperado: 11,7 V = 2,5% abaixo do nominal
Tolerâncias normais em fontes: ±5%, então todas estão OK.
c) Indicações de problema:
- Qualquer saída < 90% do nominal
- Ou > 110% do nominal
- Flutuações rápidas (instabilidade)
Exercício 2 – Continuidade de Cabo
Um cabo de áudio pare estar rompido. Medições:
Ponta 1 com ponta 2:
- Teste de continuidade: Sem bip
- Escala 20 Ω: Lê OL (infinito)
Questões:
a) O cabo está bom ou rompido?
b) Como confirmar de outro jeito?
c) Qual seria uma leitura de “bom”?
Solução:
a) Cabo está rompido/aberto. OL significa resistência infinita, sem continuidade.
b) Confirmar:
- Inspecionar isolação (procurar ruptura)
- Medir resistência em diferentes pontos do cabo
- Usar ohmímetro em escala 20 Ω e procurar onde resistance salta para OL
c) Leitura de “bom”:
- Continuidade: Som (bip)
- Escala 20 Ω: 0,1 a 2 Ω (resistência mínima de cobre)
Exercício 3 – Consumo de Aparelho
Um aparelho ligado em 220 V consome 1,5 A. Qual a potência?
Solução:
P=UI=2201,5=330 W
O aparelho consome 330 watts.
Verificação: Se for resistivo puro:
R=UI=2201,5=147
P=U2R=48400147=329 W
✓
Exercício 4 – Teste de Bateria
Bateria de 9 V sendo testada:
- Medição anterior (nova): 9,6 V
- Medição atual: 7,8 V
Questões:
a) A bateria está boa?
b) Quanto de “vida útil” resta?
c) Quando trocar?
Solução:
a) A bateria ainda funciona, mas está desgastada.
b) Capacidade restante:
- Novo: 9,6 V
- Atual: 7,8 V
- Perda: 1,8 V
- Percentual: 18,75% de queda
Típicamente, bateria tem ~80-90% de vida restante neste ponto.
c) Trocar quando:
- Para eletrônicos sensíveis: < 8,5 V
- Para aparelhos simples: < 7,0 V
- Neste caso (~7,8 V): Ainda OK, mas próximo ao fim
Exercício 5 – Diagnóstico de Circuito com Problema
Circuito simples: [Bateria 12V] -> [Resistor 100Ω] -> [LED]
Medições:
- Tensão na bateria: 11,9 V (OK)
- Tensão no LED: 2,0 V (em série)
- Corrente medida: 87 mA
Questões:
a) O circuito está funcionando normalmente?
b) Qual deveria ser a corrente teórica?
c) Qual é a resistência do LED?
Solução:
a) Sim, o circuito está funcionando normalmente. LED aceso, valores razoáveis.
b) Corrente teórica:
- Tensão em resistor: 11,9 – 2,0 = 9,9 V
- Corrente: I = U/R = 9,9/100 = 99 mA esperado
- Medido: 87 mA (levemente abaixo, normal devido à resistência do LED)
c) Resistência do LED (pela Lei de Ohm):
- Tensão LED: 2,0 V
- Corrente: 87 mA = 0,087 A
- R_LED = 2,0 / 0,087 = 23 Ω
Isso é correto – LED tem resistência dinâmica.
10. Normas e Segurança
10.1 Normas de Segurança (Brasil)
NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão:
- Define voltagem como “baixa tensão” (até 1000 V CA, 1500 V CC)
- Exige uso de multímetro apropriado para tensão máxima do local
- Recomenda verificações regulares
NBR IEC 61010-1 – Categorias de Segurança de Instrumentos:
Define 4 categorias (CAT):
- CAT I: Eletrônicos isolados de rede (baterias, fontes)
- CAT II: Circuitos conectados a tomadas (aparelhos domésticos)
- CAT III: Circuitos fixos internos (painel, distribuição)
- CAT IV: Entrada de energia (medidor, chave-faca de rua)
Recomendação para Radioamadorismo:
- Usar CAT III mínimo para trabalhar com transmissores
- CAT IV é excessivo para hobbyista
10.2 Cuidados de Segurança Pessoal
Riscos de Alta Tensão:
- Queimaduras
- Fibrilação cardíaca (parada cardíaca)
- Morte
Voltagens Perigosas:
- 50 V DC é considerado perigoso
- 30 V AC é considerado perigoso
- Radiadores de TV antigos: até 10 kV (muito perigoso)
- Transmissores RF: podem ter altas tensões em tubo final
Proteção:
- Nunca trabalhar sozinho em circuitos de alta tensão
- Usar uma mão ao medir (não abraçar circuito)
- Sapatos isolados em ambientes úmidos
- Remover anéis/pulseiras em alta tensão
- Ter primeiro socorro próximo (DIU se necessário)
- Descarregar capacitores com resistor, não cortocircuito
- Desligar circuito antes de qualquer trabalho
10.3 Cuidados com o Multímetro
Armazenamento:
- Local seco e seguro
- Fora de temperaturas extremas
- Bateria não deve vazar (trocar se estiver fraca)
- Proteger contra queda
Manutenção:
- Limpar contatos regularmente
- Verificar pontas de prova
- Testar bateria periodicamente
- Trocar fusíveis se queimar
Limite de Tensão:
- Multímetro tem limite máximo
- Não exceder voltagem nominal da escala
- Começar sempre na escala mais alta
11. Aplicações em Radioamadorismo
Para radioamadores, o multímetro é essencial[1][2]:
11.1 Teste de Fonte de Alimentação
Verificar se transmissor/receptor estão recebendo tensão correta:
- Voltagem de entrada: Medir 12 V ou 220 V (conforme fonte)
- Voltagem de saída: Medir +12 V, +5 V, etc. conforme especificação
- Proteção contra sobrecarga: Medir corrente sem carga (deve ser baixa)
- Estabilidade: Medir variações (deve ser < 5%)
Se fonte está fornecendo tensão errada → problema na fonte, não no radio.
11.2 Teste de Antena e Cabos
Verificar integridade de antena e cabos coaxiais:
- Continuidade: Medir continuidade da antena aos terminais
- Isolação: Medir isolação do cabo (deve ser > 1 MΩ)
- Resistência dc: Medir resistência dos condutores (deve ser baixa, < 10 Ω para antena)
- Simetria: Se dipolular antena, medir resistência de ambos os braços
Se antena tem aberta → problema de transmissão/recepção.
11.3 Diagnóstico de Transmissor
Identificar estágios que não estão funcionando:
- Tensão em cada estágio: Medir +12 V ou conforme especificação
- Corrente em cada estágio: Medir consumo esperado
- Sinal RF: Alguns multímetros medem frequência (até MHz)
- Oscilador local: Medir frequência se houver recurso
Se voltagem cai em um estágio → possível componente aberto ou circuit aberto.
11.4 Teste de Receptor
Verificar se receptor está recebendo/processando sinais:
- Tensão de alimentação: Confirmar +12 V (ou conforme)
- Voltagem no detector: Medir tensão CC na saída do detector (deve variar com sinal)
- Corrente em modo escuta: Medir consumo (deve ser ~1-2 A típico)
Se voltagem baixa, receptor pode não sintonizar bem.
11.5 Teste de Circuitos de RF
Para circuitos de RF, cuidados especiais:
- Nunca medir impedância com circuito RF ligado
- A energia RF pode danificar o multímetro
- Desligar RF completamente
- Medir componentes removidos do circuito
- Bobinas, capacitores, resistores
- Usar multímetro como detector de RF
- Alguns multímetros podem detectar RF com escala AC alta
- Não é preciso, apenas indicativo
- Medir continuidade de conexões RF
- Importantes para evitar perdas
12. Troubleshooting Comum
12.1 Multímetro Não Liga
Causas:
- Bateria fraca/morta
- Fusível queimado (em escalas de corrente)
- Botão liga/desliga defeituoso
- Circuito interno queimado (após dano)
Solução:
- Trocar bateria
- Se ainda não liga, verificar fusível
- Se fusível está queimado, procurar causa (erro de uso?)
- Se nada funciona, procurar profissional
12.2 Leitura Errada
Se voltímetro marca tensão quando desligado:
- Possível capacitor carregado no circuito
- Esperar alguns segundos e repetir
- Normal em alguns casos
Se amperímetro marca com circuito aberto:
- Circuito pode ter capacitância (cargas)
- Descarregar e tentar novamente
Se ohmímetro marca diferente em escalas diferentes:
- Normal em resistências próximas ao limite da escala
- Usar a escala onde leitura é mais clara (no meio do mostrador)
12.3 Multímetro Ficou Lento
Causas:
- Bateria fraca
- Fusível queimado (reduz função)
- Display com problema
Solução:
- Trocar bateria
- Verificar fusível
- Se persistir, procurar serviço técnico
13. Conclusão
O multímetro é o instrumento fundamental para trabalhar com eletrônica e eletricidade[1][2]. Dominar seu uso é essencial para:
- Diagnosticar problemas rapidamente
- Evitar danificar componentes caros
- Garantir segurança pessoal
- Validar montagens e projetos
Pontos-chave resumidos:
✓ Voltímetro: Paralelo, mede tensão
✓ Amperímetro: Série, mede corrente
✓ Ohmímetro: Desconectado, mede resistência
✓ Funções extras: Frequência, capacitância, temperatura, teste de diodo
✓ Segurança: Começar em escala alta, desconectar para medir resistência
✓ Cuidado: Amperímetro NUNCA em paralelo
Para radioamadores, especialmente importante:
- Testar fontes de alimentação do transmissor
- Verificar continuidade de antenas e cabos
- Diagnosticar estágios de amplificação RF
- Garantir tensões corretas em todos os pontos
Investimento Recomendado:
- Modelo digital intermediário: R$80-150
- Inclui todas funções necessárias
- Dura anos com uso apropriado
- Economiza 100x em diagnósticos corretos
Lembre-se:
- Desligar sempre antes de medir resistência
- Começar em escala alta
- Amperímetro em série, nunca paralelo
- Voltímetro em paralelo, sempre
- Usar escala apropriada para melhor leitura
Referências
[1] Mundo da Elétrica. Multímetro Digital: Características e Aplicações. Disponível em https://www.mundodaeletrica.com.br/multimetro-digital-caracteristicas-aplicacoes/. Acesso em 2026.
[2] MakerHero. Voltímetro e Amperímetro: o que são, como funcionam e diferenças. Disponível em https://www.makerhero.com/guia/eletricidade/voltimetro-e-amperimetro/. Acesso em 2026.
[3] Mundo Educação. Multímetro: o que é, função, como usar, tipos. Disponível em https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/o-multimetro.htm. Acesso em 2026.
[4] MakerHero. Como usar um multímetro? Veja tipos e funções. Disponível em https://www.makerhero.com/guia/eletricidade/multimetro/. Acesso em 2026.
[5] Instituto de Física – USP. Instrumentos de Medidas Elétricas I. Disponível em https://www.ifsc.usp.br. Acesso em 2026.
[6] IMPAC. Multímetro Autorange Capacímetro Frequencímetro. Disponível em https://impac.com.br/multimetro-digital/. Acesso em 2026.


