Pequeno CME em rota para a Terra: o que rádio‑amadores devem saber sobre erupções solares, vento solar e previsões para o início de março de 2026

Pequeno CME em rota para a Terra: o que rádio‑amadores devem saber sobre erupções solares, vento solar e previsões para o início de março de 2026

Atividade solar ainda baixa, mas erupção e CMEs observados podem gerar tempestade G1 e afetar comunicações HF no fim de fevereiro e início de março

Relatórios recentes de acompanhamento do Sol indicam que a atividade permanece, em geral, em níveis baixos, dominada por explosões classe C e por uma erupção filamentar observada no disco visível. Apesar do cenário tranquilo, imagens de coronógrafo e variações no vento solar apontam para a chegada de um pequeno CME (e possivelmente dois) que pode provocar distúrbios geomagnéticos leves no período entre 28 de fevereiro e 1º de março de 2026.

Observações recentes e sinais de erupção

No dia 25 de fevereiro houve uma série de eventos: a maior erupção reportada foi uma C5.3 junto ao limbo sudeste (próxima a S21). No disco visível, foi registrada uma erupção de filamento de aproximadamente 5 graus centrada perto de S08W27, acompanhada por uma flare C2.6. Essa erupção gerou um traço de rádio do tipo II com velocidade estimada em 595 km/s — um indicador clássico de choque associado a ejeções de massa coronal.

Imagens do satélite STEREO A (COR2) mostraram início de CMEs em 25 de fevereiro, com duas estruturas observadas nos limbos NE e E. Entretanto, o SOHO/LASCO C2 exibiu apenas a componente mais setentrional; análises mais detalhadas dessas ejeções ainda estão em andamento.

Vento solar e influência de buracos coronais

Os parâmetros do vento solar mostram influência clara de um Coronal Hole High Speed Stream (CH HSS). As velocidades medidas oscilaram entre 530 e 650 km/s, patamar que tende a aumentar a atividade geomagnética localmente. Espera‑se que essas condições retornem a níveis nominais à medida que a passagem do HSS diminua.

Além disso, múltiplos buracos coronais recorrentes devem influenciar o ambiente espacial nos próximos dias, elevando previsões de fluxos de elétrons energéticos (>2 MeV) em órbita geoestacionária — com picos previstos em 3 de março e entre 6 e 8 de março.

Risco de tempestades geomagnéticas e impacto na propagação HF

Com base nas observações e no provável impacto do CME que partiu em 25 de fevereiro, há previsão de períodos ativos e chance de tempestade geomagnética G1 (nível menor) entre 28 de fevereiro e 1º de março. Tempestades G1 costumam provocar auroras em latitudes altas e pequenas flutuações na propagação de rádio em HF; em alguns casos pode haver degradação temporária de links de longa distância e aumento de ruído em faixas críticas para comunicações de emergência e operações amadoras.

O boletim indica que a chance isolada de atividade M‑class (R1–R2, leve a moderada) não pode ser descartada, sobretudo se regiões brilhantes vistas no limbo leste rotacionarem para o disco solar visível.

Índices previstos e recomendações para operadores

As previsões numéricas para 28 de fevereiro a 6 de março são: índice Planetário A de 5, 5, 5, 5, 5, 15 e 15 (média 7,9); índice Kp previsto de 2, 2, 2, 2, 2, 4 e 4 (média 2,6). O fluxo de 10,7 cm estimado é 122–130, com média de 124,9 nas datas indicadas.

Para operadores de rádio e interessados em propagação, as recomendações são:

  • Monitorar a chegada do CME entre 28/2 e 1/3 e observar variações no Kp/A para ajustar planos de operação HF;
  • Ficar atento ao aumento de elétrons >2 MeV em GEO nos dias 3/3 e 6–8/3, que podem afetar satélites e equipamentos em órbita;
  • Usar fontes em tempo real para acompanhar buracos coronais e manchas solares (ex.: SolarHam) e checar updates de especialistas como Dr. Tamitha Skov;
  • Considerar alternativas de frequência e janelas temporais para contatos de DX durante os picos de atividade geomagnética.

O comentarista F. K. Janda (OK1HH) destaca que o Sol atravessa uma fase de reversão do campo magnético — processo natural do ciclo de 11 anos — e que o próximo mínimo solar entre os ciclos 25 e 26 é esperado para 2030–2031. Janda recomenda acompanhar a posição e o tamanho de buracos coronais e erupções próximas às suas bordas para previsões mais precisas de propagação.

Fontes e ferramentas úteis citadas pelos especialistas: www.solarham.com para monitoramento em tempo real, vídeos explicativos como os da Dr. Tamitha Skov no YouTube, e páginas de referência do ARRL sobre propagação (arrl.org/propagation) e índices solares.

Em resumo: embora o Sol esteja em um período relativamente calmo, a erupção filamentar de 25 de fevereiro, associada a CMEs e à influência de buracos coronais, torna prudente que rádio‑amadores e operadores de comunicações permaneçam vigilantes entre o final de fevereiro e a primeira semana de março.

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