Entre radioamadores, já foi comum identificar operadores pelo traço do punho no Código Morse. Com chaveadores eletrônicos, essa marca ficou menos evidente, mas uma nova pista tem se mostrado útil: a aparência do sinal no espectrograma, o popular ‘waterfall’. Um relato publicado em 5 de janeiro descreve como essa assinatura visual, aliada à força do sinal, pode denunciar quem está no ar mesmo antes de se ouvir um único dit ou dah.
Reconhecimento pela ‘waterfall’ em 7022 kHz
Logo ao ligar o rádio, o operador observou um traço característico em torno de 7022 kHz e imediatamente reconheceu quem transmitia. Ao sintonizar, a confirmação: era o colega esperado. No caso, a identificação ficou mais evidente por se tratar de um equipamento caseiro (‘homebrew’), cuja emissão costuma ter peculiaridades. Ainda assim, o relato aponta que sinais fortes, mesmo de outras estações, podem revelar identidades pela ‘assinatura’ que desenham no waterfall.
Straight Key Night 2026: quatro contatos e um Bunnel #9
O operador relata que só coloca a chave manual no ar durante a Straight Key Night. Em 2026, foram quatro contatos antes de guardar a Bunnel #9. Apesar do número modesto, dois QSOs chamaram atenção pela propagação e pela intensidade dos sinais recebidos.
Skip curtíssimo em 40 m: S9 entre 50 e 110 milhas
Em 40 metros, à noite, ocorreram conexões de alcance surpreendentemente curto. Um contato com um radioamador próximo a Lansing, Michigan, a cerca de 50 milhas de distância, foi registrado com sinal forte. Em seguida, outro operador na região de Bad Axe, no ‘Thumb’ do estado, a aproximadamente 110 milhas, também chegou com leitura S9 em Ann Arbor. A distância supera o típico alcance por onda de superfície na faixa, sugerindo um salto curto de propagação que, ocasionalmente, encurta o caminho via céu e torna viáveis QSOs regionais potentes.
O que observar no dia a dia
O caso reforça duas lições práticas: primeiro, a análise visual do espectrograma pode ajudar a reconhecer estações, sobretudo quando há características singulares de transmissão; segundo, em 40 m, eventos de skip curto podem proporcionar contatos muito fortes em distâncias regionais que, em condições normais, não favorecem a onda de superfície. Para quem opera CW, vale monitorar o waterfall e registrar horários e frequências em que esses fenômenos ocorrem, otimizando as oportunidades de contato.


